“Trabalho da Alma”

Bert Hellinger: “Isto é trabalho da alma. E o que é que fazemos quando fazemos trabalho com a alma? Tocamos o coração e isso é suficiente. Não há mais nada para fazer”

 

Intervenção de Bert Hellinger: “Gratidão”. Em inglês, vídeo legendado em português.

(clique na imagem para assistir ao vídeo)

Gratidão - vídeo hellinger

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Mestre, venho pedir-lhe que me cure

Mestre, venho pedir-lhe que me cure.

– Não vens para que eu te cure, vens para me pedir. Vais curar-te quando parares de pedir que te cure, porque a doença que me trazes nada mais é do que o teu pedido para ser curado. Desta forma, eu nunca te darei nada.

– Mas por quê, mestre?

– Porque tu, para não parares de pedir, vais tentar levar-me a que eu te peça para te deixares curar por mim e não te irás curar para que eu continue a pedir-te e assim possuíres-me para sempre.

– E a minha doença?

– Na verdade a tua doença não te importa. O que te interessa é fazer fracassar o Pai, exercendo o poder de não poder.

 

Alejandro Jodorowsky. Conversa com o mestre. http://planosinfin.com/

Traduzido do castelhano por Eva JacintoAlejandro-Jodorowsky

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AS ORDENS DO AMOR

Excerto de uma entrevista feita pelo jornalista e autor Martin Buchholz a Bert Hellinger, que apareceu originalmente na revista “Help for Daily Living” em Outubro 2013.

 

Martin Buchholz: Em primeiro lugar quero colocar uma questão sobre a expressão por si cunhada “ordens do amor”. O que significa?

Bert Hellinger: Ordem é aquilo de acordo com a qual algo se desenvolve. Uma árvore, por exemplo, desenvolve-se de acordo com uma ordem. Caso contrário não irá ser uma árvore. E ainda assim cada árvore é diferente. Ordem não é algo de estático. É um princípio vivo.

O amor significa aqui, é claro, a relação entre os seres humanos. Ele também ocorre de acordo com certas ordens. Quando temos conhecimento sobre estas ordens, os nossos relacionamentos tornam-se mais bem-sucedidos.

Martin Buchholz: Como sabe quais as ordens que nos são dadas?

Bert Hellinger: Eu não obtive esse conhecimento no sentido de reflectir sobre o assunto e com isso alcançá-lo. Isto não é possível dessa forma. Estas ordens revelam-se a si mesmas. Vou voltar ao exemplo das árvores. A aparência da árvore mostra a ordem de acordo com a qual ela cresce. Assim, um abeto cresce de forma diferente de um carvalho. Elas seguem ordens diferentes. Posso ver essas ordens e distinguir entre elas. Algo de semelhante ocorre com as relações humanas. Quando as pessoas acatam certas ordens, o amor decorre de uma melhor forma.

Martin Buchholz: Quando descreve essas ordens, por vezes inesperadamente uma verdade revela-se. Gostaria de saber se se experiencia a si mesmo como uma espécie de médium. Quem é que traz estes factos à luz?

Bert Hellinger: Aqui temos de ter em mente que tudo acontece por meio dos representantes. Podemos observar que os representantes, de repente, se sentem como as pessoas que eles estão a representar. Então, eles estão em conexão com algo maior e é nesse campo que sentem alguma coisa. Quando eu dirijo algo assim, também estou em conexão com este campo. Recebo informações a partir daí, desde que e enquanto eu me expuser. Eu acompanho essa informação. Mas se eu pensar “o que eu tenho que fazer agora?”, então eu já não estou em contacto com esse campo. Esse contacto só é possível através da máxima contenção. Exactamente porque eu não tenho nenhuma intenção ou desejo especial, estou em contacto com algo maior e estou, portanto, a ser conduzido.

A este algo maior, podemos dizer, a este campo – alguns chamam-lhe campo. Eu chamo-lhe uma alma compartilhada. Platão já sabia que para tornar a comunicação realmente possível, por exemplo, entre nós os dois, alguma coisa tem de estar entre nós de modo a que eu o entenda plenamente. Ele designava-o por alma.

Zhang DaQian

Martin Buchholz: Às vezes fala de algo que designa através de numerosos termos. Tomei algumas notas: o envolvente último, o grande modelo, o grande todo. Obviamente que se trata de algo que é difícil de descrever, mas o que é que dizer?

Bert Hellinger: Não quero dizer nada. É bastante claro que chegamos ao limite da nossa compreensão, mas aqui temos um sentido, há algo mais que opera. Mas não o conseguimos perceber.

Martin Buchholz: O conceito de alma que utiliza é um termo que geralmente reconhecemos na filosofia ou na teologia. Na psicoterapia tradicional provavelmente usar-se-ia o conceito com cautela.

Bert Hellinger: É o que geralmente acontece com tais conceitos, é exactamente assim.

Martin Buchholz: Isso é uma queixa que as pessoas fazem. Por favor, tenha a bondade de explicar o que quer dizer com isso.

Bert Hellinger: Eu posso defini-lo, não no sentido de o identificar com precisão, mas pode-se descrever a alma através do efeito que ela tem.

Onde quer que vejamos a alma a operar, ela tem duas funções básicas. Primeira, ela une alguma coisa. O nosso corpo, por exemplo, é mantido unido por um poder que coordena todas as funções corporais. Perguntamo-nos que tipo de poder é esse. É a alma.

Em segundo lugar, a alma conduz-nos numa direcção definida. Mas a alma não se limita ao nosso corpo ou a nós como um indivíduo. A família também tem uma alma. Portanto, todos os membros da família respondem de acordo com leis definidas pela alma. Enredos e comunidades de destino só existem por esse motivo. Estes membros da família têm uma alma comum. E, além disso, existem conexões maiores ainda.

Então, há algo que tem um efeito. Eu chamo-lhe a alma. Mas eu não estou a dizer que sei o que isso é. Até agora não encontrei um termo melhor. Bem, na China, encontrei um melhor: o Tao.

O Tao é um poder que dirige e controla tudo. E aqui também no Tao de King, o livro fundamental atribuído a Lao Tse, ele diz: o Tao que pode ser nomeado não é o Tao. Mas toda a gente percebe que existe um tal poder. A palavra Tao é mais geral e evita a apreensão da definição ainda mais facilmente do que a palavra alma. Na China eu uso a palavra Tao. Está mais próxima de mim, de qualquer forma.

Martin Buchholz: Os aspectos importantes sobre constelações familiares segundo Bert Hellinger estão relacionados com a psicoterapia ou com questões de fé, ou ainda com uma atitude básica que é quase religiosa?

Bert Hellinger: Nenhuma delas. Muitos vêm para as constelações familiares mesmo não estando doentes. Para eles as constelações familiares não têm nada a ver com doença ou com psicoterapia. E não são pessoas psicologicamente perturbadas. São pessoas cujo caminho na vida em alguns aspectos chegou a um impasse. Esta é uma matéria humana geral.

A pessoa está talvez à procura de uma saída, ou de uma solução. Neste sentido as constelações familiares estão mais perto da filosofia. É um saber sobre a vida.

 

Excerto de uma entrevista feita pelo jornalista e autor Martin Buchholz a Bert Hellinger, que apareceu originalmente na revista “Help for Daily Living” em Outubro 2013.

Fonte: A Closer Look at Constellations. An Interview With Bert Hellinger 07/30/2014

Tradução do Inglês por Eva Jacinto

Pintura de Zhang DaQian

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LIBERDADE PESSOAL

 

LIBERDADE PESSOAL E ESCOLHA

Por Stephan Hausner*

Tal como não tivemos escolha em relação aos nossos pais e em relação à história da família a que estamos ligados, também estamos sujeitos às forças da ordem da consciência colectiva desse sistema. No entanto, através da nossa atitude – aquela que adoptamos perante as pessoas que nos pertencem, perante as suas vidas e destinos -, temos alguma influência sobre a intensidade com que estamos presos e nos deixamos reter nos enredos familiares ou sobre o modo como podemos estar vinculados de uma maneira salutar e, dentro das nossas possibilidades, desvinculados e em maior medida independentes.

Não há dúvida de que cada pessoa recebeu algo dos seus pais e também sente que lhe falta alguma coisa por parte deles. Tudo depende daquilo a que pessoa se vincula. Se olha para o que recebeu, sente-se favorecida e por consequência tem algo para dar. Se fica na exigência e se liga àquilo que não pode receber, pode acontecer que se sinta enganada pela vida e pelos seus pais: as coisas correm-lhe mal, falta-lhe algo e por consequência, frequentemente, não está disposta ou não está em condições de dar. Com esta atitude, muitas pessoas tornam-se depressivas.

Ernesto Shikhani 1993 sem titulo

Ernesto Shikhani ,1993.

Estar em sintonia com os pais significa tomar o que se recebeu e renunciar àquilo que não se pode ter. Esta é uma renúncia verdadeira, uma vez que ninguém pode substituir os pais. O pai não pode substituir a mãe, a mãe não pode substituir o pai, os pais adoptivos ou substitutos (tutores) não podem substituir os pais biológicos e nem os cônjuges podem preencher essas necessidades. Muitas crianças sofrem sob a projecção inconsciente dos seus pais, forçadas a representá-los (parentificação).

(…) Segundo as minhas observações através do trabalho de constelações com doentes, muitos pacientes, inconscientemente, estão presos na sua doença ou sintomatologia por uma ânsia infantil e retêm-na por uma profunda necessidade de pertença. Vivem e sofrem com a esperança de alcançar maior proximidade e afecto dos seus pais, mais do que aquilo que os pais lhes podem dar.

Assim, parte do processo de cura seria renunciar a esse desejo de proximidade com os pais e, através da sintonia com eles e a auto-responsabilização, poder crescer em direcção à autonomia adulta.

A esperança do paciente de que se cumpram esses desejos infantis poderia ser considerada como um ganho inconsciente que a doença proporciona num sentido mais amplo.

 

* Stephan Hausner (2010). Aunque me Cueste la Vida. Constelaciones Sistémicas en Casos de Enfermedades y Síntomas Crónicos. Alma Lepik Editorial.

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

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A FALTA DA MÃE

“A Falta da Mãe”, Bert Hellinger (Londres, 2008).

 

(clique na imagem para ver o vídeo)

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IDENTIFICAR-SE COM A SOLUÇÃO OU COM O PROBLEMA?

Identificar-se com a solução versus identificar-se com o problema

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O sonho. Odilon Redon (data desconhecida).

PARTICIPANTE: Quando uma pessoa participa numa constelação como observador e se identifica com o problema que foi exposto, a alma da própria pessoa começa a mover-se, como se ela estivesse a trabalhar o mesmo problema?

HELLINGER: Às vezes.

(Risos)

HELLINGER: Mas há sempre o perigo de que o espectador se identifique com o problema, em vez de se identificar com a solução. Se a pessoa estiver atenta ao problema, facilmente perde de vista a solução, que é a parte realmente importante. Há que ter cuidado com isso. Como terapeuta eu tenho que ter muito cuidado com isso. (…)

 

 

Bert Hellinger In Raquel Solloza por sus Hijos (2006), Editorial Herder. (traduzido do castelhano por Eva Jacinto)

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“NO ESTAS DEPRIMIDO, ESTAS DISTRAÍDO…”

 

NO ESTAS DEPRIMIDO, ESTAS DISTRAÍDO, por tu ego, que distorsiona, contrario a la inocencia que aclara. El ego confunde a las cosas con su juicio, cree que las cosas son lo que él piensa que son, es más, el ego cree que las palabras son las cosas. El ego no vive, interpreta, es una constante actuación que nunca alcanza la realidad.

En tanto la inocencia, trata a todos por igual, está más cerca de la felicidad, de la riqueza,… de la tranquilidad. La inocencia ve todo con asombro, nos lleva de fiesta en fiesta. La inocencia, cree, lo que es una bienaventuranza, es excitante, porque ve todo por primera vez, para ella el mundo está lleno de novedades, todo es un espejo, porque en la inocencia, tomamos conciencia que somos parte de Dios. El que se ve asimismo en todas las cosas, el inocente, se divierte fácilmente porque todo le llama la atención: una vaca pastando, el tronco de un viejo árbol, las mariposas negras sobre los trigales dorados, el colibrí detenido en el aire, el panadero sacando el pan del horno, la noche estrellada, la lluvia del invierno, los leños ardiendo en el hogar, los papeles de Matisse, las cabañas de las hormigas, las de los beduinos, el sermón del domingo a la mañana, el fútbol del domingo a la tarde.alpinistes

El ego les pone nombre a las cosas, pero el inocente las ve, el ego las juzga, el inocente las vive, el ego divide, la inocencia armoniza diferencias, el ego depende de la mente, el inocente del corazón. El ego es viejo, depende de la memoria. El inocente está naciendo a cada instante, el ego nos agota, siempre lucha. El inocente, flota graciosamente siempre se entrega. El ego se aburre, no puede dejar de buscar. El inocente va de asombro en asombro, siempre encuentra y pude quedarse por la eternidad gozando el mismo caballo o la misma flor o la misma estrella. El inocente está tan entregado a la vida, que cambia como ella constantemente, por ello lo mismo nunca es lo mismo, la inocencia es fresca para siempre.

Ahora que estás solo y tranquilo, olvida lo que eres,… eso es creación de los demás,… escucha tu corazón… ¿Qué quieres ser? ¿Qué quieres hacer ahora, porque la vida es ahora mismo?

Olvida lo que crees que eres y comienza de cero ahora mismo, entonces convivirás con todos fácilmente. Es tan grato vivir sin divisiones, bueno-malo, rico-pobre, negro-blanco, amigo-enemigo, compatriota-extranjero, es tanta la liviandad cuando no hay enemigos, que podemos volar en cualquier momento porque la alegría tiene la simpatía de la magia.

No perdiste la inocencia, sólo la ocultas por miedo a la burla de los que… sólo pueden catalogar porque la perdieron. Déjala salir y recomenzarán los juegos de tus primeros años, ahora enriquecidos por la inteligencia, libérate de los preconceptos de la memoria, mira todo como primera vez, te salvarás del aburrimiento que ensombrece a los que creen saberlo todo.

No confundas a la actividad, con la vida. Ahí está el sol, exactamente ahí, para que lo veas. Ahí está el árbol hace muchos años, para que te des cuenta que es una maravilla. Libérate de la imagen que te ayudaron a forjar los demás y volverás a la inocencia, nuestro estado natural, así estarás contento con las arrugas que confirman todo lo que viviste, es más, sólo en la inocencia sentirás que eres parte de lo que te rodea, sólo en la inocencia puedes ver a Dios.

 

Poema de Facundo Cabral (fragmento).

Desenho de Paula Bonet.

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auto-constelação

Bert Hellinger. Final do  International Training Camp , Novembro 2011, em Bad Reichenhall. Perguntas e Respostas: será possível fazer-se um auto-constelação, como ocorre com  a auto-hipnose a auto-análise?

(clique na imagem para ver o vídeo)

B Hellinger_auto-constelação

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A Paz e a Pátria

O presente texto é uma transcrição do discurso Bert Hellinger durante a parte final do curso intensivo em Bad Reichenhall (Alemanha), em Novembro de 2011. Esta transcrição foi autorizada pelo autor. A tradução é de Eva Jacinto, a partir do texto em castelhano.

 

A paz, a exclusão e a doença

Se numa nação houver grupos excluídos, especialmente no México e noutros países da América do Sul, esses grupos não só têm uma influência sobre a sociedade, como também têm um efeito sobre a nossa saúde. Se depois num país, os grupos são respeitados, se receberem os mesmos direitos e o mesmo apoio, isso tem consequências para a nossa saúde.

ARMANDO ALVES 2004

Paisagem. Armando Alves, 2004

E isto vale para todos os aqui presentes: jamais poderemos excluir a nossa pátria ou sequer não a reconhecer.

O que me chamou a atenção nos Estados Unidos da América, e isto não acontece em nenhum outro país, é que as pessoas caminham sempre com um copo de café na mão. Quando aí vou trabalhar com um grupo, vejo que andam sempre com o seu copo de café. Noutros países isto não acontece.

Então perguntei ao organizador: que estranho, o que é que será que eles, na verdade, levam consigo ou têm de ter junto a si? São as suas pátrias, os seus países de origem.

Então, o que fizemos foi formar pequenos grupos e em cada grupo colocaram-se representantes para os lugares de onde provinham os seus pais. Isto teve um efeito muito profundo.

Quando alguém que está doente se aproxima de nós, perguntamos-lhe de que país provém. Na nossa experiência, através de muitas constelações, pudemos ver que essa pessoa se cura quando pode regressar à sua pátria. Na guerra dos Balcãs foram muitos os que fugiram da guerra, por exemplo, as pessoas do Kosovo. Numa família todos os filhos estavam doentes, disse-lhes “vocês têm que regressar”. Têm de compartilhar, têm de carregar com o destino da vossa pátria. Vocês não se podem escapulir disso. Esta família, tão especial, regressou. Depois de um tempo escreveram-me uma carta: todos curados.

Isto tem de ser tido em consideração em constelações familiares, que tenhamos também em conta o contexto mais amplo e que o incluamos. Então, as constelações Familiares convertem-se num movimento de paz dentro de um país e entre diferentes países.

Seguir e servir por amor

E neste contexto há uma outra observação. Se um casal provém de dois países diferentes, a relação é bem-sucedida se a mulher seguir o marido. Não no sentido de obedecer, mas de realmente o seguir. Ela vai para o país dele e, juntamente com os filhos, seguem o marido na sua língua e integram-se na sua cultura. Então a relação é conseguida. E as crianças têm duas pátrias: a do pai e da mãe. E é importante que dominem as duas línguas, então o relacionamento do casal enriquece-se e as crianças sentem-se bem. Alguns atacaram-me dizendo que eu era um patriarca e que desprezava as mulheres.

Mas esta é a observação que fiz.

Se a mulher segue o homem com amor, isso é um movimento de amor. E a frase tem uma segunda parte. Mas as pessoas que se exasperam já não mencionam a segunda parte da frase. A segunda parte é: o homem tem de estar ao serviço do feminino. Esse é outro movimento de amor. Esta é a outra parte.

 

O presente texto é uma transcrição do discurso Bert Hellinger durante a parte final do curso intensivo em Bad Reichenhall (Alemanha), em Novembro de 2011. Esta transcrição foi autorizada pelo autor. Traduzido do castelhano por Eva Jacinto, acedido em http://www.insconsfa.com/arth_final_del_intensivo.shtml (Maio de 2016).

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OS INIMIGOS DO SABER

Transcrição do discurso de Bert Hellinger.

Extracto do curso de formação em Barcelona (29 de Fevereiro a 2 de Março de 2008).

 

Gabriel Pacheco

 

“Carlos Castaneda conta nos seus livros a história do xamã Don Juan. Num desses livros, Don Juan descreve os inimigos do saber, são quatro inimigos. Querem que os nomeie?

O primeiro inimigo do saber é o medo. Aquele que haja superado o medo já não poderá perder o saber. Depois vem o segundo inimigo – a clareza. Quem supera a clareza enfrenta-se com o terceiro inimigo – o poder. Aquele que vença este inimigo defronta-se com o último inimigo. Esta pessoa não se deixará vencer de todo. O último inimigo é a necessidade de paz.

Para ser mais explícito, vou explicar o que quero dizer. Muito bem… qual é o medo dos que fazem este trabalho, qual é o seu maior medo? É o medo daquilo que os outros possam dizer sobre eles. Conseguem senti-lo? Se eu tivesse esse medo, não me teria tocado a mim nem descrever nem propagar este trabalho. Este é, de longe, o medo mais comum. Com esse medo, permanecemos como crianças. Outro é o medo de perder clientes. Quando alguém tem este medo, pensam que o espírito o levará a outras e novas descobertas, a novos desafios? Este é um passo decisivo – superar também este medo. Outros temem o que irá acontecer às constelações familiares quando Hellinger morrer. O que poderá acontecer? O que se passaria comigo se eu tivesse essa angústia? Há, e são muitos, os que querem ser lembrados após a sua morte. Consagram algo das suas vidas para proteger o seu património, incluindo a sua herança espiritual. Será que assim ainda se encontram num movimento do espírito? Estarão abertos a outras descobertas? Este medo tem muitas facetas. Eu tenho uma necessidade interior muito profunda e sinto-me bem com ela. Necessito profundamente que me esqueçam. Assim posso estar livre, totalmente livre. Pois bem, este é o primeiro inimigo do saber – o medo. Eu superei, amplamente, este inimigo. Querem que continue a contar-vos sobre os inimigos do saber?

Aquele que tenha superado o medo já não poderá perder o saber. Aquele que conseguiu ir além do medo deu um passo decisivo. Ganhou a clareza. E a clareza não a pode perder, pois venceu o medo. No entanto, a clareza é o seu próximo inimigo. Por exemplo, ela firmemente estabelece aquilo que na aprendizagem é o certo e o errado. E decide o currículo ao qual todos se devem conformar, e ao qual também eu deveria conformar-me. Assim, a clareza delimita-se e rapidamente se vê ser considerada como clássica. Daqui para a frente o saber já alcançado progride pouco. Aquele que enfrente este inimigo, ultrapassando qualquer clareza e que procure ir mais longe, aproximar-se do que é novo e do que é superior, podemos dizer que superou o inimigo “clareza”. Ao vencê-lo, ganha poder de muitas maneiras.

Chega então o momento de superar este inimigo também e renunciar ao poder. Por exemplo, ceder o controle e o desenvolvimento de mais força. Este é um estado auspicioso. Aquele que tenha superado o poder vive despreocupado, sem ansiedades porque se encontra guiado e levado por forças potentes.

E então aparece o último inimigo, a necessidade de paz. Tive-a aos 65 anos. Superei este inimigo, até agora está superado.”

 

Extracto do curso de formação em Barcelona (29 de Fevereiro a 2 de Março de 2008).

Fonte: A “Nova” Constelação Familiar. Tradução do castelhano por Eva Jacinto.

Desenho de Gabriel Pacheco

 

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