A PAZ

A PAZ

A paz une aquilo que antes se encontrava separado. Por isso, a paz é um movimento de reconhecimento mútuo, um movimento de equilíbrio entre as diferentes necessidades e de reconstrução de uma ordem transtornada da convivência humana.

A convivência ordenada e pacífica alcança-se quando são aceites todos os que pertencem à nossa família como membros pertencentes e quando se concede a todos por igual o direito de a ela pertencer.

Pablo Picasso. Paz, 1956.

Contudo, muitas vezes alguns dos que pertencem são esquecidos, ou é-lhes negado o direito a pertencer. Porquê? Porque foram considerados um fardo ou porque alguém se envergonha deles.

Quando nas nossas viagens interiores sintonizamos com o movimento do espírito, ele leva-nos, irremediavelmente, em direcção aos excluídos da nossa família ou às pessoas que banimos ou excluímos pessoalmente. Somente e quando nos entreguemos completamente a esse movimento e nos movamos com ele nessa direcção, as nossas viagens interiores se transformam em movimentos para a paz. Para a nossa paz interior, porque algo se reencontra novamente dentro de nós. Para a paz na nossa família, porque volta a estar completa. Inteira. Mas também para a paz num sentido muito mais amplo, na nossa relação com os grupos e os demais seres humanos.

Os movimentos do espírito não se ocupam das causas que separam, porque assentem a todos e a tudo por igual e porque o seu efeito criador é para todos e está em todos. É aqui que o nosso amor é posto à prova. Aqui se prova se esse amor é um amor espiritual. O amor do movimento do espírito que nos capta e nos leva. E prova-se se estamos preparados para esse amor.

Esse amor espiritual é a “pedra de toque”, é a prova que nos mostra até onde chegamos nas nossas viagens interiores e se o conseguimos alcançar. São realizadas como viagens de paz.

 

Bert Hellinger

In Viajes Interiores (2007). Editorial Rigden Institut Gestalt

(Tradução do castelhano por E. J.)

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