A TEORIA POR DETRÁS DAS CONSTELAÇÕES

A TEORIA POR DETRÁS DAS CONSTELAÇÕES

Pensarmos na família como uma unidade orgânica, à semelhança de uma planta ou um animal, ajudará a entender este trabalho. Assim como há certos requisitos básicos para que uma árvore seja saudável, também há requisitos básicos para uma família ser saudável. Uma árvore precisa de projectar as suas raízes para um solo nutritivo e o seu tronco precisa de ser suficientemente forte para suportar os ramos. Da mesma forma, numa família os pais precisam de ser capazes de serem fortes para sustentar os seus filhos e as crianças precisam de ser capazes de receber o amor de seus pais.

Quando a ordem natural da família não é seguida, por exemplo, quando as crianças se comportam como pais e os pais se comportam como crianças, então o amor não flui de forma eficaz naquela família. Portanto, ignorar essas ordens do amor pode levar a consequências para os membros da família que podem durar por muitas gerações, prejudicando a vida das pessoas e limitando seu potencial para o mundo.

As famílias humanas operam dentro de uma estrutura inata através da qual o amor flui naturalmente. O sistema central é o casal, onde cada um respeita o outro como homem e como mulher. Ambos têm de honrar as influências anteriores, tais como as famílias de origem ou qualquer casamento prévio na vida do parceiro. Quando o fazem, a consideração mútua é livre de distorção. O segundo relacionamento não pode reproduzir o primeiro; cada um tem as suas características próprias e ambas exigem reconhecimento.

O seguinte aspecto fundamental é que os pais são pais e as crianças são crianças. Quando as crianças se comportam como pais e os pais se comportam como crianças, então o amor não flui eficazmente na família. Os terapeutas familiares chamam isto “parentificação” das crianças. Acontece com frequência quando os pais sofrem de doenças crónicas ou quando morrem muito jovens.

Por vezes essas ordens são menos óbvias. Por exemplo, alguém pode ser esquecido por várias razões, como por exemplo ter morrido jovem. Esse esquecimento perturba o sistema familiar, que tenta restaurar a ordem colocando alguém no sistema a representar o esquecido. Se, por exemplo, um irmão representa um tio que morreu quando era criança, então ele tem dois papéis irreconciliáveis: o papel do tio e o papel do irmão. Enquanto todos os elementos da família não estão conscientes disto, isto causa confusão e dificuldades no sistema familiar. A este processo chama-se emaranhamento sistémico.

A imagem é a de um rio de amor fluindo através dos membros da família e através das gerações, cujo curso frequentemente se distorce, de várias e diferentes maneiras e graus de gravidade.

As famílias só podem funcionar harmoniosamente quando cada membro tem um lugar igualmente valorizado e respeitado. Quando um membro da família é esquecido ou excluído, isso tem geralmente consequências negativas para todos os membros da família. A harmonia real é possível quando cada um pode conhecer, honrar e apreciar o facto de fazer parte de uma unidade maior e quando a cada pessoa da família é reconhecida e lhe é dado o seu lugar apropriado.

Quando os indivíduos tentam melhorar as coisas sem considerarem o sistema familiar como um todo, geralmente estão votados a falhar. Um grande esforço pode fazer com que as coisas melhorem por um tempo, por exemplo, uma melhor comunicação com um irmão. No entanto, quando os emaranhamentos sistémicos não são tratados, eles continuam a tornar as coisas difíceis. Assim, os problemas de comunicação com o irmão podem retornar, ou a comunicação melhorada pode causar dificuldades entre outros membros da família. As constelações oferecem-nos a expectativa de que é possível uma solução que beneficie todos na família.

A constelação permite aos participantes ver a dinâmica subjacente dos problemas e começar a explorá-los criativamente. Deste modo as percepções das pessoas mudam. Eles desenvolvem uma nova compreensão sobre a origem dos seus problemas e sobre o que poderá ajudar a resolvê-los.

 

Texto de Chris Walsh publicado em www.constellationflow.com e traduzido do inglês por Eva Jacinto.

Ilustração de Keith Negley

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