Assentir a tudo

Assentir a tudo

Por Bert Hellinger, Londres 2008

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

 

Rui Aguiar hummus acceptore 9 - 2013

Hummus Acceptore 9 – Rui Aguiar, 2013

Há algo especial que só eu tenho e em ti há algo especial que só tu tens. Cada pessoa é especial e por isso é que ela é diferente de todas as outras. É óbvio, não é? Do ponto de vista da mente, é óbvio. No entanto, aplicar esta ideia diariamente, aceitar que estamos bem sendo como somos e que os outros estão bem sendo tal qual como são, produz uma enorme diferença. É a diferença de cada um que contribui para que o todo seja como é. Por assim dizer, cada um está ao serviço de algo que vai mais além dele próprio.

O que é que se passa quando penso que devo ser diferente daquilo que sou e que o outro tem que ser diferente daquilo que é? Isso é notado na nossa alma quando criticamos alguém, quando lhe encontramos defeitos por ser aquilo que é e também quando encontramos defeitos em nós próprios.

O que é que acontece nesse momento? Comportamo-nos como se tivéssemos a razão. Nesse momento temos uma imagem do que é o correcto e julgamos como correcto ou incorrecto o nosso e o dos outros. Criamos, assim, um mundo em concordância com a nossa imagem. Não vos parece isto tão estranho? Comportamo-nos como se fossemos Deus, criando o mundo e proclamando como as coisas deveriam ser. Felizmente não o conseguimos nunca. Não obstante, existe um comportamento humano muito frequente: se não conseguirmos alguma coisa à primeira vez, iremos consegui-lo à segunda… Deste modo transformamo-nos em pessoas que querem mudar o mundo. E nunca o conseguimos. Ou então, todas as pessoas mudam o mundo, porque cada um é como é e admite que tudo está bem tal qual como é.

Durante as sessões de constelações ocorrem muitos movimentos, muitas experiências diversas, e muitas pessoas opinam que há aspectos que estão certos e outros que estão errados. Se se conformassem com o que são, com as suas próprias realizações, tudo estaria bem. Ao dizerem aos outros que eles deveriam aderir àquilo que elas vêem, demonstram que têm uma imagem daquilo que é certo e do que não o é. Desta forma perdemos a conexão com o movimento criador que nos leva até ao imprevisível.

A minha posição relativamente a todas estas diferenças ou conflitos aparentes, é: reconheço que naquilo que fazem estão correctos. E eu fico com as minhas experiências, aceitando-as tal como são. Se partilharmos as nossas experiências com respeito mútuo, podemos crescer, cada um no seu próprio caminho. Assentir a tudo tal como é, é adoração, uma adoração humilde, bem-sucedida.

Bom, este foi o meu sermão de hoje!

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

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