COMO FUNCIONAM AS CONSTELAÇÕES FAMILIARES

 

Como Funcionam as Constelações Familiares: A vida é um fenómeno persistente

por Dan Booth Cohen

 

Quando estamos atados a situações negativas, a viver emoções obscuras, ou sentindo-nos enfraquecidos e sozinhos, tomamos como certo que é o “eu” que sofre. Os muitos milhares de constelações feitas em todo o mundo sugerem que este modelo psicológico é incompleto.

Há mais em nós do que um corpo humano, uma história pessoal e uma mente únicas. Sim, é verdade que somos os nossos egos individuais, mas somos também a soma de experiências e memórias que compõem a nossa linhagem biológica. Os nossos pais, avós e bisavós e os inúmeros antepassados por detrás deles, literalmente vivem nas nossas mentes e corpos.

retrato - Gabriel Pacheco (1)

Se estamos a lidar com uma circunstância ou emoção dolorosa que parece recusar-se a melhorar, é muito provável que ela seja muito mais antiga do que nós. Em vez de dissecar o cérebro do actor, precisamos de compreender a peça. (…)

Não podemos definir a nossa identidade através da matéria física que compõe os nossos cérebros. É como a história do velho artesão, muito orgulhoso das suas ferramentas: “tenho este martelo há quarenta anos”, dizia, “claro que já levou duas cabeças e três cabos novos”. Estamos perante o mesmo martelo? Será que somos a mesma pessoa que éramos quando tínhamos 10 anos de idade? Nem um só átomo do nosso corpo de hoje se encontrava nele há duas décadas atrás. O que é que em nós ainda sobrevive, que inspirou e amou há um século atrás? Que partes da nossa criação vão continuar a viver nos corações e memórias daqueles que tocamos?

Podemos muito bem ser uma forma de vida que sobrevive fazendo crescer novas cabeças e corpos de velhas peças desgastadas. O significado prático disto é que, se tivermos um problema, situação ou sentimento que parece recusar-se a melhorar, pode ser que ele não seja apenas nosso. Pode ser um resquício de uma memória arcaica, muito mais antigo do que nós. Ganhar clareza sobre o que aconteceu e a quem, pode fazer dissipar problemas ou torná-los muito mais leves.

 

Fonte: Dan Booth Cohen, Janeiro de 2011

Desenho de Gabriel Pacheco

Tradução do inglês de Eva Jacinto

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