Constelações familiares com pessoas da família

Constelações familiares com pessoas da família

 

PARTICIPANTE: Gostaria de saber se este trabalho pode ser feito com a família real, actual, em vez de se fazer com estranhos. Tendo um problema com uma família muito complicada, posso trazer todos os membros da família e fazer a constelação com as próprias pessoas?

Bert Hellinger foto

Bert Hellinger

HELLINGER: A pessoa que faz uma constelação é um membro da família, mas geralmente não permito que se coloquem como representantes na sua constelação pessoas da sua própria família. A pessoa tem que escolher um representante estranho, porque assim não pode interferir com os seus preconceitos ou ideologias na constelação, ou com aquilo que aprenderam numa outra terapia qualquer. Às vezes a pessoa que apresenta um caso, influencia as coisas com o simples facto de as definir como “problema” ou ao descrevê-las de uma determinada maneira. Quando se usam representantes, a pessoa pode apenas ver. O movimento vem da alma e ele ou ela pode entrar em sintonia com o que está a acontecer. Quando este processo termina, permito que a pessoa seja colocada na constelação. Se toda a família estiver presente, também. Deixo que todos olhem para a forma como a família é colocada pelo pai ou pela mãe e que observem. Às vezes tenho duas pessoas da família, a configurar a família por turnos e assim podem ver-se duas versões diferentes. No final da constelação, quando conseguimos ver qual poderia ser a solução, permito que eles tomem os seus próprios lugares na constelação.

Vou dar-vos outro exemplo: numa ocasião fiz constelações familiares numa clínica psicossomática e os pacientes não se sentiam confortáveis com a ideia de se exporem a este método. Então ficaram apenas sentados enquanto os seus terapeutas colocavam as suas famílias. A única questão que os terapeutas fizeram após a colocação das famílias foi: “está bem assim ou não?”. Às vezes, os pacientes davam sugestões sobre como ele se deveria modificar a colocação. Na constelação, os terapeutas representaram seus próprios pacientes. No final, nem sequer pedi aos pacientes para tomarem o seu lugar na constelação. Apenas a olhavam. Depois, alguns vieram ter comigo e disseram: “Obrigado, isto ajudou-me.” Eles não tiveram que fazer nada, apenas observavam.

 

Bert Hellinger In Raquel Solloza por sus Hijos (2006), Editorial Herder

(traduzido do castelhano por Eva Jacinto)

Tagged , ,
%d bloggers like this: