OS INIMIGOS DO SABER

Transcrição do discurso de Bert Hellinger.

Extracto do curso de formação em Barcelona (29 de Fevereiro a 2 de Março de 2008).

 

Gabriel Pacheco

 

“Carlos Castaneda conta nos seus livros a história do xamã Don Juan. Num desses livros, Don Juan descreve os inimigos do saber, são quatro inimigos. Querem que os nomeie?

O primeiro inimigo do saber é o medo. Aquele que haja superado o medo já não poderá perder o saber. Depois vem o segundo inimigo – a clareza. Quem supera a clareza enfrenta-se com o terceiro inimigo – o poder. Aquele que vença este inimigo defronta-se com o último inimigo. Esta pessoa não se deixará vencer de todo. O último inimigo é a necessidade de paz.

Para ser mais explícito, vou explicar o que quero dizer. Muito bem… qual é o medo dos que fazem este trabalho, qual é o seu maior medo? É o medo daquilo que os outros possam dizer sobre eles. Conseguem senti-lo? Se eu tivesse esse medo, não me teria tocado a mim nem descrever nem propagar este trabalho. Este é, de longe, o medo mais comum. Com esse medo, permanecemos como crianças. Outro é o medo de perder clientes. Quando alguém tem este medo, pensam que o espírito o levará a outras e novas descobertas, a novos desafios? Este é um passo decisivo – superar também este medo. Outros temem o que irá acontecer às constelações familiares quando Hellinger morrer. O que poderá acontecer? O que se passaria comigo se eu tivesse essa angústia? Há, e são muitos, os que querem ser lembrados após a sua morte. Consagram algo das suas vidas para proteger o seu património, incluindo a sua herança espiritual. Será que assim ainda se encontram num movimento do espírito? Estarão abertos a outras descobertas? Este medo tem muitas facetas. Eu tenho uma necessidade interior muito profunda e sinto-me bem com ela. Necessito profundamente que me esqueçam. Assim posso estar livre, totalmente livre. Pois bem, este é o primeiro inimigo do saber – o medo. Eu superei, amplamente, este inimigo. Querem que continue a contar-vos sobre os inimigos do saber?

Aquele que tenha superado o medo já não poderá perder o saber. Aquele que conseguiu ir além do medo deu um passo decisivo. Ganhou a clareza. E a clareza não a pode perder, pois venceu o medo. No entanto, a clareza é o seu próximo inimigo. Por exemplo, ela firmemente estabelece aquilo que na aprendizagem é o certo e o errado. E decide o currículo ao qual todos se devem conformar, e ao qual também eu deveria conformar-me. Assim, a clareza delimita-se e rapidamente se vê ser considerada como clássica. Daqui para a frente o saber já alcançado progride pouco. Aquele que enfrente este inimigo, ultrapassando qualquer clareza e que procure ir mais longe, aproximar-se do que é novo e do que é superior, podemos dizer que superou o inimigo “clareza”. Ao vencê-lo, ganha poder de muitas maneiras.

Chega então o momento de superar este inimigo também e renunciar ao poder. Por exemplo, ceder o controle e o desenvolvimento de mais força. Este é um estado auspicioso. Aquele que tenha superado o poder vive despreocupado, sem ansiedades porque se encontra guiado e levado por forças potentes.

E então aparece o último inimigo, a necessidade de paz. Tive-a aos 65 anos. Superei este inimigo, até agora está superado.”

 

Extracto do curso de formação em Barcelona (29 de Fevereiro a 2 de Março de 2008).

Tradução do castelhano por Eva Jacinto.

Desenho de Gabriel Pacheco

 

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