A PERCEPÇÃO DENTRO DA CONSTELAÇÃO

 

Este excerto foi retirado de uma conferência dada pelo Dr. Albrecht Mahr no evento International Transpersonal Association Conference, que ocorreu em Junho de 2004 em Palm Springs, EUA. Trata-se de um interessante discurso sobre o campo de conhecimento que se gera numa constelação familiar e o processo perceptivo que ocorre com os representantes dentro da constelação.

 

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“Deixem-me explicar com maior detalhe: o que é uma constelação familiar? Sem que tenha fornecido qualquer informação prévia, um cliente configura uma pessoa que se encontra no grupo para representar a sua mãe ou pai, um colega, o seu próprio coração, o soldado japonês que salvou a vida do seu pai, o seu país, a sua fé ou a velhota vestida de um modo estranho que lhe apareceu em sonhos na noite passada. Na prática qualquer elemento, qualquer ser ou qualquer processo com um impacto importante sobre a pessoa, sobre a sua família ou sobre o seu grupo, pode ser representado. O representante “sabe” na sua experiência corporal, pelas emoções, imagens e pensamentos que vão emergindo na sua mente, a condição interna da pessoa ou elemento representado – muitas vezes de uma forma surpreendentemente precisa e significativa.

Este processo é simples e embora possa ser, ocasionalmente, dramático, é tão natural como respirar. Chamámos a este processo “percepção representativa”. A percepção representativa não requer nenhum conhecimento profissional, nenhum treino especial, nem um estado intelectual, psicológico ou espiritual especialmente evoluído. Não há especialistas em percepção representativa, no entanto, temos a possibilidade de nos familiarizar com esse modo de percepção, de forma que ele pode aparecer com uma certa facilidade e flexibilidade oferecendo-se, por assim dizer, com um sorriso delicado. As constelações relembram-nos o facto de que, sem qualquer esforço, podemos tornar-nos, uns para os outros, num instrumento de experiências de que, através dos meios convencionais de informação, nada sabemos. Tornamo-nos receptivos a um órgão sensorial especial que medeia a percepção representativa, do mesmo modo que o olho medeia a visão. Este órgão sensorial concentra uma rica variedade de funções, a fim de proporcionar o conhecimento participativo da condição e da experiência de outros seres humanos e praticamente de todas as coisas.

Em primeiro lugar, ele utiliza o “conhecimento do corpo” através das suas valiosas capacidades perceptivas; utiliza, além disso, os sentimentos e emoções e a nossa capacidade para a imaginação e fantasia; utiliza ainda os nossos processos mentais, em particular o pensamento. A percepção representativa é não-localizada, isto é, a sua acção não se limita à proximidade espacial das pessoas envolvidas: é independente da distância a que se está daqueles que são apercebidos. A percepção representativa é trans-temporal, ou seja, inclui eventos que ocorreram há muito tempo atrás e também potencialidades futuras.

Isto inclui as pessoas já falecidas, ou seja, parentes que conhecemos ou pessoas que nunca conhecemos ou de quem nunca ouvimos falar e que tiveram uma influência profunda para a sobrevivência e o bem-estar da nossa família e cuja vida e destino, ainda que tenha ocorrido há varias gerações atrás, foi crucial para que hoje estejamos aqui. A percepção representativa recorda-nos que, para além de nossa experiência linear do tempo, vivemos também num espaço atemporal ou num espaço de concomitância temporal total, com frequência desdobrando-se numa constelação familiar como uma qualidade de imediatismo indubitável, simples agora e puro estar.” Albrecht Mahr.

(Traduzido do inglês por EJ)

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2 comentários sobre “A PERCEPÇÃO DENTRO DA CONSTELAÇÃO

  1. Wladimir Baptista diz:

    Muito interessante! Onde podemos conseguir o texto completo? Grato…

    • Na pestana “Constelações”, sub-página “Textos para Levar”, encontra o texto integral em inglês, com o título “Failure, Evil, and Guilt as Sources for Loving Dedication and Compassionate Strengh”. Boa leitura!

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