PSICOTERAPIA E VISÃO FENOMENOLÓGICA

Psicoterapia e Visão Fenomenológica

 

Nas suas origens, o método fenomenológico é um método filosófico. Trata-se de que alguém se expõe a uma coisa sem intenção e sem temor. E esquece-se de tudo o que, até ao momento, sabe sobre esse tema. Expõe-se a um contexto obscuro e repentinamente compreende a essência de um tema.

Quando trabalho com uma família exponho-me a ela tal como se apresenta, sem a intenção sequer de ajudar. E sem medo das consequências daquilo que eu diga ou faça. Ao posicionar-me desta maneira, de repente vejo para onde vão as coisas. Nem sempre o vejo, claro, também aqui permaneço limitado. Esta é a maneira de trabalhar fenomenologicamente. Não se baseia em nenhuma teoria, nem na experiência anterior, trabalha somente com o instante. Isto é muito difícil porque de cada vez a terapia coloca um novo risco.

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Edvard Munch: moonlight (1895)

A forma de proceder na fenomenologia é sem intenção, sem conhecimentos e sem medo. Vê aquilo que une tudo aquilo que aparece; sustenta-se e é guiada pelo fundamento e limite de toda a vontade.

Na realidade, traz à luz o derradeiro. Portanto, a terapia só termina quando traz à luz esse derradeiro e quando, na profundidade, liga alguém a esse derradeiro. Aqui a verdade torna-se o acontecimento e culmina na execução.

(…) A psicoterapia fenomenológica significa que eu, como terapeuta, me exponho a um contexto sem intenção e sem medo. Ou seja, também sem a intenção de curar. Por essa razão, o terapeuta que queira perceber fenomenologicamente deve estar de acordo com o mundo tal como ele é. Não tem necessidade de mudar o mundo. Isso exige que se retire completamente. E também está de acordo com a doença de um cliente tal como ela é. Não há necessidade de colocar-se no meio.

 

Bert Hellinger In El manantial no necesita preguntar por el camino (2007), Editorial Alma Lepik.

(traduzido do castelhano por E. Jacinto)

 

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