CONSTELAÇÕES FAMILIARES

MÉTODO PSICOTERAPÊUTICO - PORTO, PORTUGAL

À MÃE

Bert HELLINGER: “A pior coisa acerca do nosso tratamento das mães é o facto de lhe negarmos o seu direito de ser apenas uma mulher comum. Muitas pessoas pensam que as mães têm que ser como deus, sem falhas, sempre disponíveis para eles. E não vêem a realidade da vida. E permanecem crianças para sempre. Não podem crescer”

Londres, 2008

 

Ver vídeo – seminário em Londres 2008

DAS IMAGENS INTERIORES

Sobre o processo a que são submetidas as imagens interiores tratadas através da constelação familiar, conduzindo à solução e à cura.

 

DESPEDIR-NOS DAS IMAGENS INTERIORES

Por Bert Hellinger

[Quero dizer] Algo mais sobre as imagens que nos libertam. Isto pressupõe que existem imagens que nos implicam, que nos atam, que impedem em nós próprios algo que pretende desenvolver-se. Estas imagens são imaginações interiores.

In The Beginning, Paul Klee (1916)

Cada um de nós nasce numa determinada família e essa família tem determinadas imagens daquilo que é bom, daquilo que é permitido, daquilo que é proibido, muitas vezes independentemente de toda a realidade. Independentemente da realidade daquilo que realmente seja bom e daquilo que realmente perturbe. Quer dizer, aqui temos que aprender a despedir-nos das imagens interiores que nos impedem, por exemplo, de reconhecer outras pessoas que sejam diferentes, dando-lhes os mesmos direitos que nos próprios gostaríamos de ter. O que aqui fazemos é uma purificação, uma depuração interior das imagens que nos perturbam, que nos transtornam. Por exemplo, das imagens que nos atraem a algo que nos causa dano, que não só nos prejudicam a nós como também a outras pessoas, de maneira que alcancemos soluções que possam reunir a grande diversidade com um respeito profundo. E isto, regra geral, é o processo de cura.

Significa que aquilo que nós consideremos como oposto ou como contraditório no nosso coração, possa concluir e formar uma unidade.

In Bert Hellinger e Tiuu Bolzmann (2006). Imágenes Que Solucionan. Editorial Alma Lepik

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

CONSTELAÇÕES FAMILIARES COM PESSOAS DA FAMÍLIA

Constelações familiares com pessoas da família

 

PARTICIPANTE: Gostaria de saber se este trabalho pode ser feito com a família real, actual, em vez de se fazer com estranhos. Tendo um problema com uma família muito complicada, posso trazer todos os membros da família e fazer a constelação com as próprias pessoas?

HELLINGER: A pessoa que faz uma constelação é um membro da família, mas geralmente não permito que se coloquem como representantes na sua constelação pessoas da sua própria família. A pessoa tem que escolher um representante estranho, porque assim não pode interferir com os seus preconceitos ou ideologias na constelação, ou com aquilo que aprenderam numa outra terapia qualquer. Às vezes a pessoa que apresenta um caso, influencia as coisas com o simples facto de as definir como “problema” ou ao descrevê-las de uma determinada maneira. Quando se usam representantes, a pessoa pode apenas ver.

O movimento vem da alma e ele ou ela pode entrar em sintonia com o que está a acontecer. Quando este processo termina, permito que a pessoa seja colocada na constelação. Se toda a família estiver presente, também. Deixo que todos olhem para a forma como a família é colocada pelo pai ou pela mãe e que observem. Às vezes tenho duas pessoas da família, a configurar a família por turnos e assim podem ver-se duas versões diferentes. No final da constelação, quando conseguimos ver qual poderia ser a solução, permito que eles tomem os seus próprios lugares na constelação.

 

Bert Hellinger In “Raquel Solloza por sus Hijos” (2006), Editorial Herder

(traduzido do castelhano por Eva Jacinto)

Desenho de Aurelia Fronty

CULPA E PENITÊNCIA

A imagem da culpa é como um chicote nas mãos daqueles que querem submeter a humanidade à sua vontade.

O que é que acontece a uma criança cuja mãe lhe diz “Tu és má” ? Ela mantém-se criança? Mantém-se plenamente em vida? Ou será que interiormente ela descai, perdendo o contacto com o mundo e com o amor dos outros? Até mesmo o contacto com os seus pais. Será que esta mãe continua a ser mãe para esta criança? Será que o pai continua a ser pai para esta criança? De que modo responde então a criança?

Um movimento interno começa na criança: uma tentativa para se ver livre da culpa. Chamamos a este movimento penitência.

O que é que a criança faz quando se quer livrar da culpa? Ela causa dano a si própria. E de que forma é que a criança causa esse dano?

A criança faz algo a si própria que a conduz à morte. Podem sentir isto? Haverá algo mais hostil à vida que esta ideia de culpa e penitência?

Tenho dificuldade em continuar com este tema. As consequências são incríveis. Todo o ocidente cristão é mantido em sujeição a uma instituição que obtém o seu poder a partir da ideia de culpa e penitência. Esta instituição chama-se Igreja.

 

Bert Hellinger – Excerto de conferência proferida no Congresso de Pedagogia Sistémica, em Julho de 2012, no México. Publicado no livro “The Churches and Their God” (2013). Hellinger Publications.

Traduzido do Inglês por Eva Jacinto

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