Outubro 2021_ Sessão em Grupo

Nestas sessões em grupo o trabalho é focado no cliente que apresenta o problema. Trabalhamos com a constelação procurando encontrar movimentos de solução que permitam desprender-se dos enredos que sustentam os problemas ou que mantêm a pessoa em dinâmicas de infelicidade.
Participar como representante constitui uma oportunidade para, de uma forma vivencial e aprofundada, aprender sobre os processos e dinâmicas que actuam nos problemas.

INSCRIÇÕES ABERTAS

sessão facilitada por Eva Jacinto

A Vida é como a Viagem da Alma

Familiarize-se com a vivacidade de Joan Garriga

“A vida é como a viagem da alma, a viagem heróica da alma. Onde com sorte às vezes a reencontramos ou com sorte às vezes a recordamos (…)
A viagem da alma compõe-se de pelo menos três factores importantes. Um deles é reconhecer os nosso dons e assumi-los. E os dons que temos nem sequer são méritos pessoais, são empréstimos que a vida nos faz ou que a vida nos oferece. Às vezes vêm envoltos na roupagem dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos anteriores. E são legados, são legados de talentos, de recursos, de capacidades, de dons que não escolhemos… E a viagem da alma impõe-nos reconhecê-los e entregá-los. E desta forma ficamos muito mais próximos das nossas profundezas.”

 

Evento Joan Garriga 2022, Porto 

PSICOTERAPIA E DESENREDOS FAMILIARES

Nascemos numa determinada família e nela despontamos num momento histórico do seu percurso de longas e sucessivas gerações. Não emergimos no vazio, mas num campo estruturado, onde os graus de liberdade não são infinitos. A história familiar prévia ao nosso nascimento encerra um campo relacional (também intergeracional) cujas forças nos submetem e condicionam. Não tivemos sobre isto qualquer escolha e na verdade nele nos inserimos com amor e devoção.

Por vezes a intensidade da vinculação aprisiona, geram-se situações de estagnação, dificuldades e sintomas que tomam conta de algumas ou até de todas as áreas da vida (trabalho, relações, saúde…), tornando necessário um trabalho psicoterapêutico. Temos alguma influência sobre o modo como nos deixamos reter nos enredos familiares, por vezes apenas precisamos de percepções criativas. Sermos capazes de ver como se ordenam os sistemas de relações em que estamos inseridos, ter uma imagem do conjunto entrelaçado de necessidades, é uma descoberta que por si só pode originar mudanças. Informados por essa percepção nova, espontaneamente somos levados a adoptar uma atitude diferente perante as pessoas que nos pertencem, perante as suas vidas e os seus destinos, movimentamo-nos em direcções novas e diferentes.

lynne hope blue eyes

Um dos aspectos que com frequência se observa em psicoterapia, diz respeito ao facto de a pessoa se aferrar àquilo que acredita que não foi possível receber dos seus pais. Algumas pessoas chegam a afirmar “não és digno de ser meu pai/  minha mãe” ou “eu não tenho pai/ mãe, nunca quis saber de mim”.

Com esta atitude permanecem na ânsia de um dia poder, finalmente, reencontrar os pais idealizados. Profundamente capturados na sua mágoa, colocam a si mesmo poucas possibilidades: receber aquilo que sempre ansiaram ou cair num estado apático, reivindicativo, ou alternando entre estes extremos. Sob este estado de falta de, propicia-se o desenvolvimento de sintomatologia depressiva.

Aprender a desenredar-se daquilo que produz a mágoa passa, numa primeira fase do processo psicoterapêutico, pelo reconhecimento das necessidades e anseios próprios,  que podem ser necessidades de pertença, de segurança, de confiança, de alcançar maior proximidade e afecto. Integrar essas ansiedades como parte de si é um passo inicial, mas decisivo, do trabalho pessoal de cura e crescimento. 

O movimento seguinte e o de se conectar aos pais como fonte de vida. É um movimento complexo, exige labor psicoterapêutico, pode ser demorado, mas não conheço nenhum outro movimento mais rápido para resolver o problema, libertar do enredo, levar a abrir-se e viver de um modo mais criativo.

 

Eva Jacinto – Porto, 04.11.2020

Desenho: Lynne Hope 

Marianne Franke-Gricksch – PORTO, PORTUGAL 2020

Seminário intensivo para profissionais com Marianne Franke, Porto, Setembro de 2020

Assista ao VÍDEO para conhecer um pouco sobre a psicoterapeuta.

“Assim são as crianças, incessantemente se imiscuem no destino das gerações anteriores, querem carregar com tudo e com isso perturbam a honra dessas pessoas. É somente quando somos adultos que nos damos conta que com a distância se honra/ respeita tudo o que foi. E que temos que manter essa distância para não lhes retirar a honra. Só adulto o consegue fazer, as crianças metem-se constantemente.”

“Adulto é o homem e a mulher que pode dizer aos seus pais “obrigada”, obrigada pela minha vida. Adulto é aquele homem ou mulher que pode dizer, “obrigada, mas agora eu sou o responsável pela minha vida”.”

“Se não temos ninguém à nossa frente, não podemos saber nada de nós próprios. Necessitamos de uma relação.”

Marianne Franke