CONSTELAÇÕES FAMILIARES

MÉTODO PSICOTERAPÊUTICO - PORTO, PORTUGAL

Constelações familiares com pessoas da família

Constelações familiares com pessoas da família

 

PARTICIPANTE: Gostaria de saber se este trabalho pode ser feito com a família real, actual, em vez de se fazer com estranhos. Tendo um problema com uma família muito complicada, posso trazer todos os membros da família e fazer a constelação com as próprias pessoas?

HELLINGER: A pessoa que faz uma constelação é um membro da família, mas geralmente não permito que se coloquem como representantes na sua constelação pessoas da sua própria família. A pessoa tem que escolher um representante estranho, porque assim não pode interferir com os seus preconceitos ou ideologias na constelação, ou com aquilo que aprenderam numa outra terapia qualquer. Às vezes a pessoa que apresenta um caso, influencia as coisas com o simples facto de as definir como “problema” ou ao descrevê-las de uma determinada maneira. Quando se usam representantes, a pessoa pode apenas ver.

O movimento vem da alma e ele ou ela pode entrar em sintonia com o que está a acontecer. Quando este processo termina, permito que a pessoa seja colocada na constelação. Se toda a família estiver presente, também. Deixo que todos olhem para a forma como a família é colocada pelo pai ou pela mãe e que observem. Às vezes tenho duas pessoas da família, a configurar a família por turnos e assim podem ver-se duas versões diferentes. No final da constelação, quando conseguimos ver qual poderia ser a solução, permito que eles tomem os seus próprios lugares na constelação.

 

Bert Hellinger In “Raquel Solloza por sus Hijos” (2006), Editorial Herder

(traduzido do castelhano por Eva Jacinto)

Desenho de Aurelia Fronty

CULPA E PENITÊNCIA

A imagem da culpa é como um chicote nas mãos daqueles que querem submeter a humanidade à sua vontade.

O que é que acontece a uma criança cuja mãe lhe diz “Tu és má” ? Ela mantém-se criança? Mantém-se plenamente em vida? Ou será que interiormente ela descai, perdendo o contacto com o mundo e com o amor dos outros? Até mesmo o contacto com os seus pais. Será que esta mãe continua a ser mãe para esta criança? Será que o pai continua a ser pai para esta criança? De que modo responde então a criança?

Um movimento interno começa na criança: uma tentativa para se ver livre da culpa. Chamamos a este movimento penitência.

O que é que a criança faz quando se quer livrar da culpa? Ela causa dano a si própria. E de que forma é que a criança causa esse dano?

A criança faz algo a si própria que a conduz à morte. Podem sentir isto? Haverá algo mais hostil à vida que esta ideia de culpa e penitência?

Tenho dificuldade em continuar com este tema. As consequências são incríveis. Todo o ocidente cristão é mantido em sujeição a uma instituição que obtém o seu poder a partir da ideia de culpa e penitência. Esta instituição chama-se Igreja.

 

Bert Hellinger – Excerto de conferência proferida no Congresso de Pedagogia Sistémica, em Julho de 2012, no México. Publicado no livro “The Churches and Their God” (2013). Hellinger Publications.

Traduzido do Inglês por Eva Jacinto

APLICAÇÃO DAS CONSTELAÇÕES AO CAMPO PEDAGÓGICO

Dois excertos do texto de  Marianne Franke-Gricksch, autora que se dedica à aplicação das constelações ao campo pedagógico. O texto está disponível nesta página para descarga.

“A constelação familiar é uma aplicação do ponto de vista sistémico. Como intervenção psicológica ela não pertence à escola. Mas as crianças conhecem as ordens [do amor]. E desejam-nas. Todo o nosso amor flui mais facilmente dentro da ordem e isso também as crianças o compreendem.”

Marianne Franke-Gricksch

“Com as constelações familiares as pessoas adquirem uma experiência profunda do enraizamento na sua família de origem. Também experienciam que o enraizamento na sua família determina a sua personalidade como professores. Depois das constelações familiares, pode ser que os professores não façam melhor na realidade, mas estão mais conscientes. Na relação com os seus alunos, já não dependem de interpretações. Eles reconhecem a situação e exigem mais claramente aquilo que a escola exige às crianças: a concentração no compromisso social e a predisposição para aprender.”

O CAMPO MÓRFICO

O CAMPO MÓRFICO

Por Ursula Franke*

No contexto da nossa socialização aprendemos que tudo aquilo que acontece dentro do nosso corpo e da nossa psique deve ser atribuído ao nosso “Eu” e, consequentemente, somos disso responsáveis. Aprendemos que os nossos sentimentos, actos e pensamentos surgem de nós e é em nós também que eles ganham sentido. Contudo, o pensamento em acção nos contextos sistémicos e as experiências que fazemos no decurso das constelações sugerem que só parcialmente isso é verdade.

Nesse sentido, o trabalho de Bert Hellinger revolucionou o conceito de indivíduo. Os “vínculos invisíveis” de uma família ou de um sistema tornam-se visíveis através de uma constelação. Os representantes e os pacientes experimentam fisicamente o modo como o indivíduo está inserido no seu contexto e como a presença e a proximidade de um elemento actua sobre cada um dos outros elementos que estão dentro do sistema. Se, por exemplo, numa constelação a filha está parada em frente ao pai, experimenta um estado físico e psíquico que é possível de ser descrito com precisão, o qual se altera por apenas se incorporar outra pessoa, por exemplo a mãe ou o pai do pai.

Podemos imaginar que o nosso corpo absorve as informações da área circundante como uma caixa de ressonância, tal como um instrumento musical ou um recipiente que vibra com os sons que o envolvem. Vistas as coisas desta maneira, podemos entender que estamos em condições de participar dos sentimentos e também dos estados físicos dos outros e experimentar e perceber dentro de nós, especialmente no nosso corpo, estas qualidades do outro. Isto, por sua vez, significa que possivelmente os sentimentos e os estados físicos que experimentamos nem sempre surgem de nós próprios, nem são, por conseguinte, nossos, mas antes sentimentos e percepções “alheias”, que ressoam em nós e cremos serem nossas porque as experimentamos no nosso corpo e mente.

Rupert Sheldrake retomou a antiga ideia de um todo envolvente, avançou no seu desenvolvimento e fez dela o centro das suas investigações. O autor descreve os princípios básicos do campo mórfico que reflectem os princípios de Tales de Mileto Continue reading

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