CONSTELAÇÕES FAMILIARES

MÉTODO PSICOTERAPÊUTICO - PORTO, PORTUGAL

 

Prenderse cura, de Elisa talentino

 

“Muitos clientes concluem que o seu passado é responsável pela sua situação presente. E também, por exemplo, os seus pais ou a sua família de origem. Mas somente na presença podemos mudar. Só podemos mudar neste momento. Assim, o trauma do passado, na verdade não é o problema. O desafio é como relacionar-nos agora com aquilo que aconteceu no passado, com aquilo que nos causou dano.” 

Stephan Hausner

 

 

In  entrevista de Oralice Silva realizada em Setembro de 2015, em Vilagarcía de Arousa, Galiza, Espanha.

 

“Sofrer é fácil, actuar e desenvolver-se é difícil”

Excerto do artigo* de Joan Garriga (2002). A Propósito de las Constelaciones Familiares en la Gestalt. Capítulo inserido no livro Gestalt de Vanguardia, de Claudio Naranjo. Editorial La LLave.

 

Poderíamos dizer que o principal tabu das pessoas é o tabu da felicidade e ainda que ela se deseje intensamente, pode ser difícil permitir-se ser intencionalmente feliz, quando a pessoa sabe que outras pessoas na família sofreram, foram infelizes ou que lhes tocou um destino particularmente difícil. Como disse Bert Hellinger “sofrer é fácil, actuar e desenvolver-se é difícil”.

Nas famílias actuam vínculos profundos de solidariedade que nos remetem para as limitações dos nossos antepassados, dificultam a sua superação e não nos permitem ir mais além. E ainda que vejamos nas constelações, uma e outra vez, que aqueles que foram infelizes desejam que a sua infelicidade seja respeitada e tomada como um destino próprio, sem que outros nele se envolvam, vemos também, uma e outra vez, como os sucessores ultrapassam esse limite e como, por uma espécie de amor mágico, pretendem libertá-los da sua desgraça ao tornarem-se eles próprios desgraçados, numa espécie de compensação negativa que afirma “se eu me sacrificar, talvez para ti seja melhor”. Desta forma repetem-se destinos e acumulam-se sacrifícios, sendo o resultado final ainda mais infelicidade. Por exemplo, um filho que se apercebe que um dos seus pais adoece ou deseja morrer (talvez por este seguir um antecessor ao qual se sente unido), ultrapassa o limite e diz internamente “eu adoeço no teu lugar” ou “eu morro no teu lugar” ou “sigo-te na desgraça ou na morte, etc.”.

Existe também na alma familiar uma instância profunda que procura restaurar o equilíbrio entre dar e receber e aí vemos também, com frequência, como os sucessores tentam expiar culpas dos antecessores, ao dar lugar àqueles que foram prejudicados e imitar o seu prejuízo. Como exemplo extremo, cito o de um filho cuja mãe morreu no parto. É um exemplo extremo porque a mãe dá o mais essencial – a vida -, e ela mesma perde o mais essencial. E para o filho é difícil tomar a vida a este preço tão alto e, frequentemente, procura enfrentar este tão grande desnível através da compensação negativa, dizendo a si próprio internamente: “a este preço tão elevado não a quero, portanto não a tomo plenamente e limito-me”. Mas o que é que assim a mãe ganha?  De novo actua este amor cego que não consegue ver claramente o desejo da mãe que morreu: de que o filho tome a sua vida plenamente e a desenvolva com felicidade e sucessos. Buda seria um exemplo de compensação positiva, pois faz grandes desenvolvimentos em memória da sua mãe que morreu três dias depois do seu nascimento, como consequência do parto.

 

*Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

Desenho de Adolfo Serra

OS REPRESENTANTES NA CONSTELAÇÃO

 

Estamos conectados de uma forma muito profunda com muitas pessoas. E aqueles que entram numa constelação como representantes, de certo modo deixam o seu sistema e entram noutro sistema, ou poderíamos também dizer que entram noutro campo. E nesse campo entram em ressonância com tudo o que pertence a esse campo particular. E é claro que a constelação é parte desse campo e portanto os membros dessa família são afectados por aquilo que aconteceu na constelação.


BERT HELLINGER (México, 2004)

ASSISTIR AO VÍDEO

 

O “Segredo” das Constelações Familiares

Bert Hellinger, 2014 (transcrição de um seminário no México)

Quando comecei com as constelações familiares, o grande assombro para mim foi perceber que se dá um processo no corpo e na alma de um representante – algo que até este momento se tinha mantido oculto. Foi uma experiência incrível. Mas eu não sabia de onde vem e para onde leva.
Somente depois de algum tempo bastante longo compreendi algo que era essencial.
Todos vivemos num campo concreto.
Também podemos observar isto. Se alguém é configurado representando alguém, ainda que não se diga nada, como quer que seja o representante de imediato se encontra noutro campo.
Ele é outra pessoa e sem que se faça qualquer menção.
Não só os representantes são “levados”, como também e ao mesmo tempo, todos os presentes [no grupo] são levados, sem que se diga nada.
O que aqui acontece é o fenómeno das constelações familiares – o segredo das constelações familiares.

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA A PRÓXIMA SESSÃO

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