A AMPLITUDE

A Amplitude, por Bert Hellinger

Gostaria de dizer algo sobre a amplitude. Muitos problemas surgem porque nos agarramos, por assim dizer, ao próximo e ao estreito. Quando olhamos para os nossos problemas ou para os problemas num relacionamento, ou para qualquer outro tipo de problemas, muitas vezes apenas incluímos o estreito, o próximo, o óbvio, e todo o contexto que faz parte do problema, escapa-nos.

Odilon Redon

Porém, o estreito e o próximo só têm a sua importância e a sua força na conexão com aquilo que os supera. Por isso, em geral, a solução passa por sairmos do estreito e do próximo e mover-nos em direcção ao distante, ao mais amplo. Então, em vez de olharmos para nós próprios, por exemplo, para os nossos desejos e para aquilo que consideramos serem os nossos problemas, as nossas mágoas ou os nossos traumas, olhamos para os nossos pais, para a família. De repente,estamos ligados a outra coisa, estamos unidos a muitas coisas. Assim, aquilo que talvez experimentemos como algo difícil ou como algo que nos causa sofrimento, tem o seu lugar nesse contexto maior.

Mas quando olhamos somente para a família, depois de algum tempo, a nossa visão fica novamente estreita. Precisamos também de olhar mais além dela, voltar a incluir a envolvente na nossa atenção e percepção e também no nosso amor, abrir-nos a ele. Então aquilo que na família parece irresolúvel, encontra um caminho livre.

Na psicoterapia existe também um desenvolvimento em direcção ao mais amplo. Existe a psicoterapia que se dedica predominantemente ao indivíduo, por exemplo, aos seus sentimentos. Aí, talvez tudo se vá desmembrando, e apesar de tudo o indivíduo não consegue superar-se.

Existe também a terapia familiar que inclui o campo mais vasto. Ela pode trazer soluções que não são possíveis na terapia individual. Contudo, a terapia familiar continua a ser limitada.

Então, pode-se ir mais além da terapia familiar e dirigir-se a algo maior. Isso toma-se possível mediante os “movimentos da alma”, quando nos deixarmos conduzir por ele. Porque esses movimentos caminham em direcção a algo maior.

Bert Hellinger (2007). El Manantial no Tiene que Preguntar por el Camino. Editorial Alma Lepik

Imagem: Odilon Redon, Onze Personnages

Traduzido do castelhano por EJ