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A ARTE DO BOM AMOR

A ARTE DO BOM AMOR

Por Joan Garriga*

Ao trabalhar com os problemas das pessoas, descobrimos que muitas não se colocam naquilo que lhes vem dos pais (os quais simbolizam a vida) e preferem recusar-se a tomar o que receberam, para se resguardarem daquilo que pensam ser negativo. No entanto, dessa forma raramente se encontram em paz consigo próprias e com a vida, não lhe dando o que têm para dar.

Em vez disso, empobrecem-se e limitam-se, colocam-se em posições de vitimização ou de ressentimento ou outras posições de sofrimento. Tomar o que vem dos pais, mesmo que isso inclua feridas dolorosas, e trabalhar emocionalmente sobre elas, parece funcionar como uma espécie de salvo-conduto para alcançar o bom amor e como um antídoto contra muitos males: leva-nos a assumir a responsabilidade pela nossa própria vida e a renunciar a jogar jogos psicológicos incapacitantes, cheios de sofrimento, por exemplo, com o nosso cônjuge ou com os filhos ou com o contexto profissional.

Elisa Talentino recorte Metamorphosis-Focolare

Em relação aos pares, a regra das relações é a de as manter equilibradas, garantir a paridade e a igualdade de posição. Damos, tomamos, compensamos, equilibramos e somos livres. E se continuamos juntos, é fazendo uso da nossa liberdade e não por nos sentirmos em dívida ou como credores. É um clássico nos conflitos de casal, onde costuma haver desequilíbrios na relação, de tal maneira que um dos membros pode sentir-se devedor ou credor e depois já não conseguem olhar-se nos olhos um do outro com confiança e abertura do coração.

Em suma, ajuda muito às pessoas e às famílias que haja uma ordem, ordenar o amor, plasmá-lo numa boa geometria das relações humanas, na qual todos sem exceção estejam incluídos e igualmente dignos de respeito e de consideração, cada um no lugar exacto que lhe corresponde e nutrindo-se uns aos outros de tal maneira que consigam crescer em vez de sofrer. Aqui está, assim, o bom amor.

 

*Joan Garriga. El Arte del Buen Amor. Artigo do jornal La Vanguardia, publicado em 12-06-2013. Acedido aqui:  https://www.lavanguardia.com/cultura/20130612/54375903295/constelaciones-familiares-arte-amor.html

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto 

Desenho original de Elisa Talentino (pormenor)