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Autor: Eva Jacinto

Lisboa: 1º Congresso Internacional de Constelações

Eva Jacinto facilitará

Workshop: Constelações de Sintomas

Precisamos de tempo para deter o esquecimento, para fazer sair da sombra aspectos que nos condicionam, precisamos de tempo para olhar cuidadosamente para nós. Na sombra há um trabalho contínuo, como o dos enredos vinculares que não permitem ao passado ser passado e que nos restringem o presente.

As constelações permitem-nos trazer à luz algo que sempre ali esteve, na obscuridade. Contudo, o trabalho mais importante não está propriamente na constelação, mas numa abertura que fica connosco depois dela.

Essa abertura instaura o trabalho mais importante: o de quotidianamente nos abrimos para vermos um pouco mais sobre a forma como participamos naquilo que nos acontece, como estamos na relação com os outros e na relação com o mundo. Significa um maior alinhamento e conexão consigo próprio/a.

Neste workshop de constelações familiares iremos trabalhar com sintomas. Como diz Stephan Hausner “os sintomas são um umbral para um novo espaço, nesse novo espaço encontramos as perguntas que já contêm a resposta”. Os sintomas podem ser vistos como uma pergunta, como um assunto que precisa de ser visto/ trazido à luz.

Sob estas premissas, o trabalho da constelação com a doença e o sintoma visa permitir dar um lugar ao sintoma, a partir do qual o seu portador se possa abrir e com ele se relacionar e sanar.

 

INSCRIÇÃO

Sim à vida

Stephan Hausner
Stephan Hausner

Por Stephan Hausner

 

O “Sim” à vida através dos pais e através dos antepassados é, para muitos pacientes, um processo difícil. Alcança-se através do assentimento aos pais tal qual como eles são e assentindo também à história da família em cujo seio nascemos. Este

processo é conseguido independentemente do contacto ou da qualidade da relação com os pais ou avós. Ele é também um processo possível para quem não conhece nem os seus pais, nem as suas famílias, já que nele se pode assentir à sua própria pessoa, ao seu destino pessoal e à situação de vida na qual se encontra. Esta situação pode ser a de se estar afectado por uma doença aguda ou , inclusivamente durante toda a vida.

A experiência mostra que, frequentemente, o primeiro passo para a solução de um problema ou para a cura de uma doença é o de assumir a parte de responsabilidade própria nesse tema. Segundo a minha observação, a força para este passo está relacionada com a disposição para assentir aos pais e à própria família de origem. Este “Sim” aos pais e à família é como um “Sim” à vida e para mim, como terapeuta, uma condição prévia para que eu concorde em realizar uma constelação com um paciente. A minha experiência no trabalho com constelações com doentes é a de quando um paciente não está disposto a dizer “Sim” à sua situação actual, frequentemente sequer está disposto, ou não é capaz de aceitar aquilo que na constelação se mostraria como movimento em direcção à solução. Nestas circunstâncias, trabalho primeiro a capacidade e a disposição do paciente para este “Sim”.

 

Stephan Hausner (2011). Aunque Me Cueste La Vida: Constelaciones Sistémicas En Casos De Enfermedades Y Síntomas Crónicos. Alma Lepik Editorial

Tradução do espanhol por Eva Jacinto

Quando morremos não vamos embora…

Bert Hellinger com Gabrielle Ten Hovel em Acknowledging What Is: Conversations With Bert Hellinger

 

GtH: A nossa relação com a morte caracteriza-se, geralmente, pelo medo.

BH: Sim, muito. Isso deve-se ao facto de a vida ser vista em termos isolados, como uma pertença pessoal – algo que se possui e se usa tanto quanto possível. Mas eu posso olhar para ela pelo outro lado: que eu pertenço à vida ou a uma força que me traz à vida e me sustenta e depois me deixa cair de novo. Esta forma de ver as coisas parece-me ser mais próxima da realidade. Aquele que se experiencia a si próprio como parte de um todo maior, experiencia uma energia sustentadora, apesar de ser uma energia que pode também trazer sofrimento. Não é a nossa felicidade que faz o mundo girar. É algo de muito diferente, é algo que nos chama ao seu serviço e nós temos de nos render. No final do nosso tempo, saímos da vida e voltamos a algo sobre o qual nada sabemos.

Nós não aparecemos de repente do nada. A vida que recebemos através dos nossos pais está inserida em algo maior. Algo flui pelos nossos pais e passa a vida até chegar a nós. De algum modo já estamos presentes, ou então não poderíamos tornar-nos. Quando morremos, não vamos embora, apesar de já não sermos visíveis para os vivos. Mas desaparecer? Como podemos desaparecer?

O ser, a profundidade por detrás de tudo, está para além da vida. Comparada com o ser, a vida é pequena e temporária.

Deste ponto de vista, uma criança que morre jovem não perdeu nada. Lamentamos a morte de uma criança que morreu cedo e pesarosamente mencionamos o avozinho que viveu até aos 90. Bem, quando o avô morre, qual é a diferença entre ele e uma criança que viveu apenas um dia? Ambos caem no ser que está para além do nosso entendimento, já não existe diferença entre eles.

Rilke sugeriu que se lamentamos aqueles que morreram jovens, em vez de os deixarmos ir, tornamos as coisas difíceis para eles. O que nos ajuda a deixá-los ir é o sabermos que nós também iremos. Eu uso uma frase em terapia que traz solidariedade para com os mortos, de modo a podermos aceitar a nossa vida sem um sentimento de superioridade. A frase é: “Tu estás morto. Eu viverei um pouco mais e depois também irei”. Assim os mortos são mantidos à vista e a vida não é elevada a algo de extraordinário em comparação com a morte.

A vida não é nem melhor nem pior, é apenas o que está disponível para mim durante um tempo. Mas tenho a certeza de que o todo em que tudo participa está além da vida.

 

Bert Hellinger e Gabrielle Ten Hovel (1999). Acknowledging What Is: Conversations With Bert Hellinger. Zeig Tucker & Co. USA

Traduzido do Inglês por Eva Jacinto

Imagem: Max Ernst (1974). Configuration nr 6.

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