Author Archives: Eva Jacinto

O ÊXITO É SEMPRE NOVO

A DETENÇÃO

Por Bert Hellinger *

 

Um movimento iniciado por nós detém-se mais cedo ou mais tarde. Chega ao seu fim. Frequentemente inverte-se até, movendo-se na direcção contrária. Aniquila aquilo que tinha alcançado. Por exemplo, um êxito que tenha ido longe demais, ao fim de algum tempo sofre uma reviravolta e converte-se no seu contrário.

Paul Klee

Paul Klee, This flower wishes to fade (1939)

Que significa isto para os êxitos da nossa vida? Prevemos o seu fim ou a sua inversão. Saltamos a tempo do comboio em marcha, antes que ele pare, e começamos de imediato algo de novo, desde o princípio.

Este novo também permanece apenas por um certo tempo. Também neste caso percebemos quando tenha alcançado o seu zénite e comece a reduzir-se o seu êxito e a sua significação. Soltamo-lo antes que o seu fim chegue e voltamos a começar de novo.

Quem não se detém nunca é o espírito. Todo o criativo nunca se detém.

Que significa isto para as nossas empresas? Que se renovam permanentemente e continuam a crescer. Não existem êxitos velhos, só existem êxitos sempre novos. Somente estes mantêm o impulso da nossa vida.

Aquilo que pretendemos eternizar e assegurar, encaminha-se previsivelmente para o seu fim. Mais ainda: retém-nos.

Este seria o outro significado de detenção. Deter e reter. Que actuação se anuncia, neste caso, para os nossos êxitos?

Enquanto ainda duram, libertamo-nos deles pelos êxitos que se vão seguir. Como? Olhando em frente, à frente deles enquanto ainda duram.

Algo semelhante ocorre com a nossa vida. No seu culminar, engendramos a nova vida que se seguirá à nossa, até que também esta, no zénite da sua vida, ponha em marcha o êxito seguinte, no qual continua a actuar e onde permanece.

 

* Hellinger, Bert (2011). Historias de Exito en la Empresa y el Trabajo. Editorial Rigden Institut Gestalt

Tradução da versão castelhana por Eva Jacinto

Imagem: Paul Klee – This flower wishes to fade (1939)

Mensagem para o Ano Novo

Satisfeito

Por Bert Hellinger In Pensamientos de Realización *

 

Satisfeito significa: estou em paz com o que tenho; estou em paz com o que me acontece; estou em paz com o que sou e como sou.

Satisfeito significa também: estou em paz com os outros, tal como eles são; estou em paz com o meio que me rodeia e em paz com o mundo tal como ele é. Mas principalmente estou em paz com a vida tal como ela me foi dada e em paz com o que ela me exige. E estou em paz com o que virá a trazer-me.

Assim satisfeito, encontro-me recolhido, recolhido em mim e recolhido em tudo tal qual como é. Assim satisfeito, estou na minha força e tenho força para estar em paz com tudo.

Satisfeito tenho poucas exigências. Porque haveria de as ter se tenho tudo? Só preciso de o ver e desfrutar. Que mais quero? Satisfeito tenho poucas expectativas em relação aos outros, apenas as tenho em relação àquilo que serve ao diálogo quotidiano e à felicidade do quotidiano.

Por isso os outros sentem-se seguros comigo, seguros com a sua própria felicidade e com aquilo que têm. Porque estou satisfeito, não necessito de lutar com ninguém. Por mim, pode ficar com o que tem e continuar a ser como é.

Em última análise, o que significa estar satisfeito? Amo a todos tal como são. Amo a criação tal como é. E amo-me tal como sou. Este amor está em consonância com a origem de tudo tal como é. Este amor é paz com Deus.

 

* Bert Hellinger In Pensamientos de Realización. Editorial Rigden Institut Gestalt.

Tradução do castelhano de Eva Jacinto

Imagem: Litografia “A Casa dos Espelhos”, Rogério Silva (2010)

 

Vídeo Stephan Hausner

Stephan Hausner:

“Através da constelação familiar temos a oportunidade de descobrir que tipo de dinâmicas estão activas num sistema familiar e podemos também descobrir como podemos mudar a nossa atitude, o nosso comportamento dentro da nossa família, de modo a que a doença ou o sintoma deixem de ser necessários.”

Assistir vídeo

 

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PERCEPÇÃO REPRESENTATIVA

 

Albrecht Mahr : A PERCEPÇÃO DENTRO DA CONSTELAÇÃO

 

“Deixem-me explicar com maior detalhe: o que é uma constelação familiar? Sem que tenha fornecido qualquer informação prévia, um cliente configura uma pessoa que se encontra no grupo para representar a sua mãe ou pai, um colega, o seu próprio coração, o soldado japonês que salvou a vida do seu pai, o seu país, a sua fé ou a velhota vestida de um modo estranho que lhe apareceu em sonhos na noite passada. Na prática qualquer elemento, qualquer ser ou qualquer processo com um impacto importante sobre a pessoa, sobre a sua família ou sobre o seu grupo, pode ser representado. O representante “sabe” na sua experiência corporal, pelas emoções, imagens e pensamentos que vão emergindo na sua mente, a condição interna da pessoa ou elemento representado – muitas vezes de uma forma surpreendentemente precisa e significativa.

Este processo é simples e embora possa ser, ocasionalmente, dramático, é tão natural como respirar. Chamámos a este processo “percepção representativa”. A percepção representativa não requer nenhum conhecimento profissional, nenhum treino especial, nem um estado intelectual, psicológico ou espiritual especialmente evoluído.  Não há especialistas em percepção representativa, no entanto, temos a possibilidade de nos familiarizar com esse modo de percepção, de forma que ele pode aparecer com uma certa facilidade e flexibilidade oferecendo-se, por assim dizer, com um sorriso delicado. As constelações relembram-nos o facto de que, sem qualquer esforço, podemos tornar-nos, uns para os outros, num instrumento de experiências de que, através dos meios convencionais de informação, nada sabemos. Tornamo-nos receptivos a um órgão sensorial especial que medeia a percepção representativa, do mesmo modo que o olho medeia a visão. Este órgão sensorial concentra uma rica variedade de funções, a fim de proporcionar o conhecimento participativo da condição e da experiência de outros seres humanos e praticamente de todas as coisas.

Em primeiro lugar, ele utiliza o “conhecimento do corpo” através das suas valiosas capacidades perceptivas; utiliza, além disso, os sentimentos e emoções e a nossa capacidade para a imaginação e fantasia; utiliza ainda os nossos processos mentais, em particular o pensamento. A percepção representativa é não-localizada, isto é, a sua acção não se limita à proximidade espacial das pessoas envolvidas: é independente da distância a que se está daqueles que são apercebidos. A percepção representativa é trans-temporal, ou seja, inclui eventos que ocorreram há muito tempo atrás e também potencialidades futuras.

Isto inclui as pessoas já falecidas, ou seja, parentes que conhecemos ou pessoas que nunca conhecemos ou de quem nunca ouvimos falar e que tiveram uma influência profunda para a sobrevivência e o bem-estar da nossa família e cuja vida e destino, ainda que tenha ocorrido há varias gerações atrás, foi crucial para que hoje estejamos aqui. A percepção representativa recorda-nos que, para além de nossa experiência linear do tempo, vivemos também num espaço atemporal ou num espaço de concomitância temporal total, com frequência desdobrando-se numa constelação familiar como uma qualidade de imediatismo indubitável, simples agora e puro estar.” 

 

Este excerto foi retirado de uma conferência dada pelo Dr. Albrecht Mahr no evento International Transpersonal Association Conference, que ocorreu em 13-18 de Junho de 2004, em Palm Springs, EUA.

Traduzido do inglês por Eva Jacinto

Ilustração de Adolfo Serra

 

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Bert Hellinger: sobre a exclusão

Bert Hellinger: “A alma mostra-se somente quando não é interferida por intenções, julgamentos e medos… e se nos abrimos para algo maior.”

Bert Hellinger sobre a EXCLUSÃO: Vídeo legendado em Português.

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