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Autor: Eva Jacinto

PENSAMENTO SISTÉMICO

“Os resultados do pensamento sistémico provêm da atitude e da acção. Uma vez uma Directora perguntou-me se eu pertencia a alguma seita só porque me neguei a falar pejorativamente sobre os pais dos alunos na sala de professores e com isso “desabafar”.
Posteriormente dei-me conta que as minhas ideias, difundidas através do meu livro e dos meus seminários, têm alcance, comovem os corações. Os professores e os pais vêm livremente, porque se sentem estimulados por este modo de pensar.”

Excerto de entrevista a Marianne Franke-Gricksch:  Una nueva comprensión de las relaciones entre alumnado, profesorado y familias (2006). In Cuadernos de Pedagogía nº 360, Septiembre 2006. Traduzido do espanhol por Eva Jacinto.

Marianne Franke-Gricksch Porto 2020

WORKSHOP PORTO 2020 COM MARIANNE FRANKE-GRICKSCH

 

 

A ARTE DO BOM AMOR

A ARTE DO BOM AMOR

Por Joan Garriga*

Ao trabalhar com os problemas das pessoas, descobrimos que muitas não se colocam naquilo que lhes vem dos pais (os quais simbolizam a vida) e preferem recusar-se a tomar o que receberam, para se resguardarem daquilo que pensam ser negativo. No entanto, dessa forma raramente se encontram em paz consigo próprias e com a vida, não lhe dando o que têm para dar.

Em vez disso, empobrecem-se e limitam-se, colocam-se em posições de vitimização ou de ressentimento ou outras posições de sofrimento. Tomar o que vem dos pais, mesmo que isso inclua feridas dolorosas, e trabalhar emocionalmente sobre elas, parece funcionar como uma espécie de salvo-conduto para alcançar o bom amor e como um antídoto contra muitos males: leva-nos a assumir a responsabilidade pela nossa própria vida e a renunciar a jogar jogos psicológicos incapacitantes, cheios de sofrimento, por exemplo, com o nosso cônjuge ou com os filhos ou com o contexto profissional.

Elisa Talentino recorte Metamorphosis-Focolare

Em relação aos pares, a regra das relações é a de as manter equilibradas, garantir a paridade e a igualdade de posição. Damos, tomamos, compensamos, equilibramos e somos livres. E se continuamos juntos, é fazendo uso da nossa liberdade e não por nos sentirmos em dívida ou como credores. É um clássico nos conflitos de casal, onde costuma haver desequilíbrios na relação, de tal maneira que um dos membros pode sentir-se devedor ou credor e depois já não conseguem olhar-se nos olhos um do outro com confiança e abertura do coração.

Em suma, ajuda muito às pessoas e às famílias que haja uma ordem, ordenar o amor, plasmá-lo numa boa geometria das relações humanas, na qual todos sem exceção estejam incluídos e igualmente dignos de respeito e de consideração, cada um no lugar exacto que lhe corresponde e nutrindo-se uns aos outros de tal maneira que consigam crescer em vez de sofrer. Aqui está, assim, o bom amor.

 

*Joan Garriga. El Arte del Buen Amor. Artigo do jornal La Vanguardia, publicado em 12-06-2013. Acedido aqui:  https://www.lavanguardia.com/cultura/20130612/54375903295/constelaciones-familiares-arte-amor.html

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto 

Desenho original de Elisa Talentino (pormenor)

 

A NOITE OBSCURA DA ALMA

A NOITE OBSCURA DA ALMA

Por Bert Hellinger*

Quero dizer algo sobre a Noite Obscura da Alma. Este é um conceito da tradição mística na Europa Ocidental. Mas é também um conceito próximo ao pensamento na Ásia.

Esse conceito implica a retirada do pensamento: eu contenho a minha curiosidade, a minha busca. E qual é o efeito? A paz para todos os envolvidos. Estou em paz. Não me sinto esmagado pelos problemas dos outros. E não sobrecarrego os outros com os meus problemas. Não interfiro de forma alguma nos movimentos das almas dos outros. Podemos respeitar-nos uns aos outros. Se eu sentisse agora curiosidade por elas [as pessoas com quem trabalhou], estaria a perder o respeito por elas. E elas sentiriam que eu não as respeito. Este é, portanto, um bom procedimento. Na verdade, não é nenhum procedimento, absolutamente. Eu não faço nada. E ao não fazer nada, faço muitíssimo.

 

Bert Hellinger (2009). El inconsciente colectivo y las Constelaciones Familiares. Cuadernos de Información y Comunicación, 2009, vol. 14 83-88

Tradução do castelhano por Eva Jacinto