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Autor: Eva Jacinto

CONEXÃO ENTRE REPRESENTANTES E REPRESENTADOS

O que é que isto [a constelação] demonstra?
Demonstra que estamos conectados de uma forma muito profunda com muitas outras pessoas.
E aqueles que entram numa constelação como representantes, de certo modo deixam o seu próprio sistema e entram noutro sistema, ou poderíamos também dizer que entram num outro campo. E nesse campo entram em ressonância com tudo o que pertence a esse campo particular.

BERT HELLINGER
Primeiro Seminário Internacional – “Los Órdenes de la Ayuda” -, realizado no ano de 2004 no México, organizado pelo Instituto Bert Hellinger de México.

Traduzido e legendado por Eva Jacinto

Constelações e Educação Transpessoal

Texto de Albrecht Mahr *

As constelações são úteis para nos relembrarem da experiência sempre nova (e sempre muito rapidamente esquecida) de que falhamos nas nossas tentativas de excluir tudo aquilo a que chamamos o mal. Quer seja como indivíduos, quer como famílias, comunidades ou grupos religiosos, étnicos ou políticos, seguimos o impulso para manter o estranho, o desconhecido, o assustador e o ameaçador longe da nossa consciência, quer ele venha de dentro de nós ou de uma fonte externa. E é só uma questão de tempo até termos de reconhecer a lei natural – que Freud designa por “retorno do recalcado” – de que nos tornamos naquilo que rejeitamos.Alexander Calder 1971

Nós e os sistemas de que fazemos parte somos extremamente inclusivos. Quando rejeitamos e excluímos o avô alcoólico e violento, a consciência sistémica de integridade e inclusão – uma das leis sistémicas naturais – toma conta da pertença do avô ao sistema, impelindo um filho, um neto ou um bisneto a, inconscientemente, falhar e tornar-se violento ou alcoólico como o avô. Quando uma tia esquizofrénica passa a sua vida num hospital psiquiátrico, parecendo aos seus familiares que ela é estranha e esquisita, e sendo evitada e esquecida por eles, ela será remembrada, i.e., tornará a ser membro do sistema, por intermédio de outro membro da família. Por exemplo, uma sobrinha, talvez sem qualquer conhecimento da existência desta tia, pode tornar-se uma pessoa esquisita, estranha e solitária, repetidamente tomada por sentimentos de des-realização e solidão, tal como a sua tia. Chamamos a este processo trans-pessoal “pertença sombra” ou “lealdade sombra”, “inclusão sombra” ou também “amor sombra”, porque ele é cego, inconsciente e, muitas vezes, extremamente doloroso nas consequências que desencadeia.

A única resposta para a inclusividade radical dos nossos sistemas e da vida em geral é a de conscientemente praticarmos essa mesma inclusão, que significa um esforço muito gratificante para honrar tudo e todos na sua legítima existência, no seu espaço e na sua pertença. Isso não é, certamente, fácil e significa uma luta continuamente em curso e uma contínua atenção afectuosa.

Belas surpresas nos esperam, tal como nos mitos e contos de fadas, quando o exasperante, o mau, o revoltante e repugnante, as criaturas das sombras e o horrível se transformam para nós nas mais importantes fontes de compreensão, apoio e compaixão – assim que eles sejam realmente vistos e incluídos na nossa vida.

Assim, as constelações familiares são uma estratégia de educação transpessoal extremamente útil, não só para cuidar das vítimas de eventos nocivos, mas também para, de forma explícita, nos voltarmos para aqueles que no nosso entendimento de senso comum falharam, são culpados, maus, imorais, violentos, abusadores, odiosos ou sórdidos.

 

* Retirado de Albrecht Mahr (2004). Family Constellations – Failure, Evil, and Guilt as Sources for Loving Dedication and Compassionate Strength. Conferência de Albrecht Mahr na International Transpersonal Association Conference, Palm Springs, Califórnia, EUA

Tradução do inglês de Eva Jacinto

Imagem: Alexander Calder, 1971

Lisboa: 1º Congresso Internacional de Constelações

Eva Jacinto facilitará

Workshop: Constelações de Sintomas

Precisamos de tempo para deter o esquecimento, para fazer sair da sombra aspectos que nos condicionam, precisamos de tempo para olhar cuidadosamente para nós. Na sombra há um trabalho contínuo, como o dos enredos vinculares que não permitem ao passado ser passado e que nos restringem o presente.

As constelações permitem-nos trazer à luz algo que sempre ali esteve, na obscuridade. Contudo, o trabalho mais importante não está propriamente na constelação, mas numa abertura que fica connosco depois dela.

Essa abertura instaura o trabalho mais importante: o de quotidianamente nos abrimos para vermos um pouco mais sobre a forma como participamos naquilo que nos acontece, como estamos na relação com os outros e na relação com o mundo. Significa um maior alinhamento e conexão consigo próprio/a.

Neste workshop de constelações familiares iremos trabalhar com sintomas. Como diz Stephan Hausner “os sintomas são um umbral para um novo espaço, nesse novo espaço encontramos as perguntas que já contêm a resposta”. Os sintomas podem ser vistos como uma pergunta, como um assunto que precisa de ser visto/ trazido à luz.

Sob estas premissas, o trabalho da constelação com a doença e o sintoma visa permitir dar um lugar ao sintoma, a partir do qual o seu portador se possa abrir e com ele se relacionar e sanar.

 

INSCRIÇÃO

Sim à vida

Stephan Hausner
Stephan Hausner

Por Stephan Hausner

 

O “Sim” à vida através dos pais e através dos antepassados é, para muitos pacientes, um processo difícil. Alcança-se através do assentimento aos pais tal qual como eles são e assentindo também à história da família em cujo seio nascemos. Este

processo é conseguido independentemente do contacto ou da qualidade da relação com os pais ou avós. Ele é também um processo possível para quem não conhece nem os seus pais, nem as suas famílias, já que nele se pode assentir à sua própria pessoa, ao seu destino pessoal e à situação de vida na qual se encontra. Esta situação pode ser a de se estar afectado por uma doença aguda ou , inclusivamente durante toda a vida.

A experiência mostra que, frequentemente, o primeiro passo para a solução de um problema ou para a cura de uma doença é o de assumir a parte de responsabilidade própria nesse tema. Segundo a minha observação, a força para este passo está relacionada com a disposição para assentir aos pais e à própria família de origem. Este “Sim” aos pais e à família é como um “Sim” à vida e para mim, como terapeuta, uma condição prévia para que eu concorde em realizar uma constelação com um paciente. A minha experiência no trabalho com constelações com doentes é a de quando um paciente não está disposto a dizer “Sim” à sua situação actual, frequentemente sequer está disposto, ou não é capaz de aceitar aquilo que na constelação se mostraria como movimento em direcção à solução. Nestas circunstâncias, trabalho primeiro a capacidade e a disposição do paciente para este “Sim”.

 

Stephan Hausner (2011). Aunque Me Cueste La Vida: Constelaciones Sistémicas En Casos De Enfermedades Y Síntomas Crónicos. Alma Lepik Editorial

Tradução do espanhol por Eva Jacinto