As constelações são uma linguagem

Por Tiuu Bolzmann*

As constelações familiares são uma ferramenta sistémica, fenomenológica, vincular, para descobrir o funcionamento invisível das relações humanas e possibilitar a integração de todos os membros e factos do sistema e, consequentemente, contribuir para que cada pessoa encontre o seu lugar no mundo.

Psicologia e psicoterapia são disciplinas diferentes. Cada uma tem a sua própria epistemologia, o seu objectivo e o seu propósito.

Paul Klee, Guardian Celeste, 1948

As constelações familiares não são nem psicoterapia nem psicologia e não têm lugar entre as disciplinas que estão actualmente reconhecidas num nível formal. É uma disciplina nova, com um quadro particular. O reconhecimento dessa diferenciação levará tempo até ser formalmente integrada.

Procurar encaixar as constelações familiares numa das disciplinas existentes seria como meter um automóvel num aquário. Para encaixá-las no que já existe, tanto o automóvel como o aquário, deixariam de ser o que são.

Como sempre, quando algo novo e desconhecido está prestes a ser integrado, é necessário encontrar denominações que não prejudiquem as estruturas das disciplinas já existentes, nem limitem aquilo que é novo e se esforça por se diferenciar.

As constelações familiares são uma nova “linguagem” sistémica, fenomenológica, relacional, que permite traduzir as dinâmicas invisíveis dos vínculos humanos. Esta linguagem pode ser usada em qualquer contexto e relativamente a qualquer questão.

A “linguagem” das constelações ajuda a revelar a parte invisível dos relacionamentos, em todos os contextos. Embora as Ordens de Amor enunciem leis gerais que regem os sistemas, não devemos pensá-las mecanicamente nem automatizá-las, pois elas não se mostram em todos os sistemas da mesma maneira no mesmo momento.

Existem diferentes níveis em que se trabalha com as constelações. O trabalho pode simplesmente revelar alguns princípios básicos, por exemplo, a posição de cada um na família, ou mostrar quem falta, ou a quem foi negado o direito de pertencer; pode modificar a compreensão da pessoa sobre si mesma e mudar a sua atitude em relação aos outros membros do grupo; e pode levar a revelações essenciais para a pessoa que consulta. Em qualquer caso, o olhar é sempre posto na totalidade do sistema em questão. É por esse motivo que o trabalho não satisfaz apenas uma pessoa e a “solução” dá-se sempre ao nível sistémico. Não existe algo que faça bem a um, sem que faça bem a todos. Se alcançamos o bem de um, mas este produz mal no outro, então não encontramos a solução sistémica.

Para facilitar constelações familiares não é necessário um estudo académico. É necessária uma formação em constelações familiares que inclua o estudo profundo das Ordens de Amor e, além disso, é necessária a experiência de vida, uma atitude livre de julgamento, desenvolvimento pessoal e prática espiritual. O facilitador tem de ter a capacidade de manter-se em contacto e colocar-se em ressonância com a pessoa e com o seu sistema, para que possa proporcionar que se integre tudo o que lhe pertence.

As constelações familiares são uma linguagem que o facilitador usa para que a pessoa possa desenredar a complexidade da sua problemática. Quando o consultante alcança esse entendimento, a energia entre todos volta a fluir e cada um pode colocar-se no seu lugar, assumir os seus próprios assuntos e comunicar adequadamente com seu ambiente.

Recapitulando: como responder então à pergunta “O que são as constelações familiares?”

São parte de um novo paradigma. Uma visão holística da vida e da saúde. É uma ferramenta que nos permite “exteriorizar” a realidade em que estamos imersos e que não a conseguimos ver enquanto estamos “dentro”.

Isto é algo novo, realmente novo!

Tiuu Bolzmann (2019). Le Evolución No Accepta Límites o ¿qué Son las Constelaciones Familiares? In Ecos Boletin. Julio/ Agosto de 2019 – No 84
Acedido aqui: http://www.peterbourquin.net/boletin/index.php?seccion=articulo&fbclid=IwAR0FbQzfM7LzMDzkr1vJnXyh9sgi7VnjoNxhUbW5mfjlZnK9bFQf2e_STrs

Traduzido do espanhol por Eva Jacinto
Imagem: Paul Klee, Guardian Celeste, 1948

O Verdadeiro Modo de Ajudar

O verdadeiro modo de ajudar alguém não é ajudando-o a fazer algo, mas ajudá-lo a dar-se mais conta da sua própria experiência – dos seus sentimentos, acções e fantasias – e insistindo para que explore a sua própria experiência mais profundamente e se torne responsável por ela, seja ela qual for.

Frequentemente isto significa assinalar o modo como a pessoa ilude a sua experiência e frustrar este iludir. Se uma pessoa está triste, deve explorar a tristeza e vivenciá-la mais profundamente antes de poder assimilá-la e desenvolvê-la. Se uma pessoa se sente zangada, deve sentir e expressar realmente a sua zanga antes de poder admiti-la na sua vida. A única saída é ir através de.

John O. Stevens (2003). El Darse Cuenta: sentir, imaginar y vivenciar. Editorial Cuatro Ventos
Tradução do castelhano por Eva Jacinto

A INTEGRIDADE DO SISTEMA SENTIDA NO CORPO

restauro de um excluído

A Integridade do Sistema
Por Bert Hellinger

Os membros de uma família ampliada vêem-se como um todo e sentem-se completos quando todos os que pertencem ao círculo familiar têm um lugar de honra nos seus corações. Pessoas que só se ocupam de si mesmas e da sua própria felicidade não sentem essa plenitude. Sempre que um membro da família consegue restaurar no seu coração um membro excluído, a diferença é prontamente sentida. As imagens internas da família e do eu ficam mais completas e a pessoa sente-se de facto mais integrada.


O namorado da mãe
Todos os representantes relataram inquietude e irritação quando uma mulher montou a constelação da sua família. Então, o primeiro namorado da mãe, falecido muito jovem, foi acrescentado, bem como a primeira mulher do seu pai, a quem ele abandonara quando iniciou a relação com a mãe desta mulher. Depois da inclusão dessas duas pessoas, os representantes imediatamente se acalmaram. Quando tomou o seu lugar na constelação, a mulher descreveu uma sensação de “abertura” no peito e um profundo sentimento de “correcção”. Nos dias seguintes, comunicou uma mudança na experiência de si mesma, como se tivesse crescido e alcançado a paz.

Essa sensação de “abertura” no corpo é típica das pessoas que estão a restaurar um membro excluído do círculo familiar. O nosso senso do eu muda quando o excluído é trazido de volta à consciência. Os sistemas são totalidades e as pessoas num sistema de relacionamentos sentem-se integradas quando o sistema inteiro está nelas representado.

O texto foi adaptado da tradução brasileira.
Bert Hellinger, Gunthard Weber e Hunther Beaumont (2012). “A Simetria Oculta do Amor”. Editora Cultrix, São Paulo.