DAR E RECEBER

DAR E RECEBER

O assunto central na dinâmica de dar e receber é a aceitação da vida, tal como a recebemos dos nossos pais. Não temos outra possibilidade, uma vez que as condições nos são dadas com antecedência. Assentir é a premissa para a felicidade: “Tomo a vida tal como ela me foi dada”. Pela minha experiência verifico que este método, lógico e aparentemente simples, é com frequência difícil de levar a cabo. Honrar o pai e a mãe não significa estar de acordo com todos os seus actos, mas antes recebermos agradecidos e apreciarmos tudo quanto nos puderam dar.

Se a pessoa se nega a receber, pode ter a sensação de se “sentir melhor”. “Quando recebes, sentes-te culpado” – o significado que Bert Hellinger dá à palavra culpa nesta frase não é a do seu sentido limitado, mas antes no sentido da obrigação de recompensar. Quando não se recebe, não existe culpa nem obrigação, portanto, fica-se basicamente livre. Contudo, quem não recebe mantém exigências: “mais dinheiro, mais compreensão, mais apoio, outra infância, outras formas de amor, etc.”. Ninguém consegue satisfazer estas exigências e portanto geram discordância e a sensação de ter sido colocado à margem, o que por sua vez alimenta novas exigências.

Elisa Talentino

Todas as relações funcionam mediante o dar e receber. Se uma pessoa se nega a tomar o amor que recebe e compensa essa necessidade com o consumo de bens materiais, então as relações ficam em perigo. Todos conhecemos “pessoas que nunca estão satisfeitas”. O consumo torna-se cada vez mais o centro da vida, enquanto a vida, o amor, a fidelidade continuam a ser bens inestimáveis. O consumo, que se nutre da exigência, é um substituto do receber no campo das relações e impede a satisfação. Bert Hellinger diz: “Voracidade significa querer ter sem tomar”. Uma relação promove-se na medida em que se receba agradecido e se devolva algo com mais amor. Assim a relação pode crescer e alimentar-se o “círculo vicioso”. (…). O agradecimento reconhecido é um das formas mais essenciais de equilíbrio.

 

In “Enfermedad que Sana. Sintomas Patológicos y Constelaciones Familiares”, de Ilse Kutschera e Christine Schäffler. Alma Lepik Editorial.

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

Desenho de Elisa Talentino

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