O CORPO

Ainu tree – Louise Bourgeois, 1999.

Ao pensar na interacção entre corpo e alma, por vezes ainda estamos presos à ideia de que o corpo é material, ao qual a alma se soma como uma força vivificante e governadora. Esta ideia baseia-se na experiência de que os moribundos dão um suspiro final, parecendo que com ele também expiram a sua alma. Esta imagem do fim da vida é também transferida para o início da mesma, similarmente ao relato bíblico da Criação, segundo a qual Deus formou o homem a partir do pó da terra, soprando-lhe nas narinas o fôlego da vida.

Mas segundo o nosso conhecimento, o homem vivo nasce porque as células germinativas – já animadas – dos seus pais unem-se nele para formar um novo ser humano. O nosso corpo, portanto, desde o princípio que se encontra animado, convertido num elo de uma longa cadeia que une a todos, antes e depois de nós, e a todos os que no imediato nos rodeiam, como se todos nós tivéssemos parte numa vida e alma comuns. A alma, portanto, vai mais além de nós, abrangendo também a nossa envolvente: a nossa família, os outros grandes grupos, o mundo na sua totalidade. Apesar deste facto, inicialmente experimentamos a alma como sendo referida ao nosso corpo. Ela dirige o seu início, o seu crescimento, a transmissão da vida através dele e ao fim de um tempo, também a sua morte.

 

Bert Hellinger In “El Centro se Distingue por su Levedad. Conferencias e Historias Terapéuticas”. Editorial Herder

Traduzido do espanhol por EJ

Tagged ,

Um comentário sobre “O CORPO

  1. Elizabete Nunes Ramos diz:

    Como se todos nós tivéssemos parte numa vida e alma comuns.
    Fantástico, confesso que não tenho palavras para expressar essa Grandeza.
    Gratidão