AUTONOMIA e LIBERDADE

Bert Hellinger entrevistado por Gabriele ten Hövel

Gabriele ten Hövel – O que o senhor diz é, e continuará a ser para muitos, um atrevimento. Afirma que a nossa percepção está condicionada pelos campos onde nos movemos, que estamos “ao serviço”, que os movimentos são controlados por poderes superiores e que nem sequer a nossa consciência moral é autónoma, mas que depende da família de origem e do grupo em que nos movemos. Onde ficam então a autonomia e a liberdade? Até que ponto estamos condicionados? Que margem de manobra temos? Estes são os pontos sempre em questão quando se discute a filosofia de Bert Hellinger. As pessoas contrapõem que a sua imagem do ser humano é fatalista e até totalitária. Elas consideram que hoje as pessoas têm todas as possibilidades para planear a própria vida de forma cooperativa e consciente e que os terapeutas existem para ajudar os clientes e eliminar o que entrava esse propósito. Que autonomia tem o sujeito no mundo moderno? Que contribuição presta a sua filosofia e o trabalho com as constelações familiares para essa autonomia?

Bert Hellinger – Do ponto de vista filosófico a ideia de autonomia é ridícula. Continuamente dependemos uns dos outros. Estamos marcados pelos nossos pais e pelo campo onde nos movemos. Os antepassados estão presentes, os mortos estão presentes, as nossas acções estão presentes, tudo está presente. E movemo-nos imersos em tudo isto. Se penso que decidi livremente as coisas da minha vida, torno-me pequeno. Pequeno e insignificante. Estou envolvido em todos esses grandes movimentos, na fila dos ancestrais, na família, e esse envolvimento é independente da minha livre vontade. Muito simplesmente encontro-me dentro disso e também eu movo algumas coisas. Em que medida posso atribuir isso a mim ou não, parece-me irrelevante.

Hellinger, B., Ten Hõvel, G. (2006). Un largo camino: diálogos sobre el destino, la reconciliación y la felicidad. Editora Alma Lepik.

Excerto traduzido do castelhano por Eva Jacinto.
Desenho de Alexandra Duprez

Inscrições abertas para Workshop com Marianne Franke no Porto

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O WORKSHOP COM
MARIANNE FRANKE-GRICKSCH, DE 14 A 16 DE JUNHO 2019, NO PORTO

TODA A INFORMAÇÃO AQUI: Marianne Franke – Evento no Porto
INSCRIÇÕES: Formulário de Inscrição
CONTACTOS: +351 935943080// cf.evajacinto@gmail.com // Enviar Mensagem
FACEBOOK: Evento FB

Flyer Marianne F-G

Este é um workshop para profissionais, mas também para qualquer pessoa que queira explorar o trabalho das constelações familiares e usufruir de uma oportunidade privilegiada de aprender dentro do campo profundo e gentil que Marianne Franke consegue criar com o seu trabalho.

O que nos faz adoecer


Extracto de entrevista a Mike Boxhall

Pergunta:O que é que nos adoece?

Mike Boxhall: Acredito que em boa medida tem a ver com não estarmos presente e estarmos atados a assuntos não digeridos que continuam a fermentar dentro de nós. A tendência a nos castigarmos quando não somos perfeitos, uma energia que nos mantém amarrados à insatisfação.

profundidade_elisa-talentino

E o corpo encontra uma maneira de expressar o seu descontentamento, o seu sofrimento ou o trauma vivido, que pode não ser próprio, mas dos pais e que também nos pode afectar.

A solução passa por regressar ao presente, onde a causa desse sofrimento já não existe, e assumir a responsabilidade em vez de continuar no papel de vítima.

Nesse momento de consciência presente encontra-se a possibilidade de abrir uma porta para deixar ir o que nos atormenta. Simplesmente expandindo a consciência, podemos observar a transformação das pessoas.

Extracto de entrevista a Mike Boxhall
Fonte: https://www.cuerpomente.com/salud-natural/mente/entrevista-mike-boxhall_2334

Tradução do espanhol por Eva Jacinto

Desenho: Profundidade, de Elisa Talentino

Uma separação não destrói a família

Excerto de entrevista a Marianne Franke-Gricksch. Traduzido do espanhol por Eva Jacinto.

Pergunta: Os filhos de pais separados encontram-se frequentemente num terreno carregado de tensão. A Marianne sugere uma “cultura de separação” na qual, por exemplo, os pais separados de crianças em idade escolar se reúnam três ou quatro vezes por ano para conjuntamente tomarem decisões sobre os seus filhos. O efeito que isso tem nas crianças é o de elas se sentirem melhor cuidadas. Como se explica sistemicamente esta subtil diferença na tomada de decisões?

Marianne Franke-Gricksch: Se os pais conseguirem superar a sua decepção devida a um relacionamento que não funcionou, ficarão livres para agir como pais dos seus filhos e não tentarão pôr os filhos do seu lado. As crianças percebem as duas raízes e desejam amar os dois pais sem “ofender” nenhuma das duas partes. Uma separação não destrói a família. Aquilo que é prejudicial para as crianças é o crescendo das ofensas. Em algumas constelações, tenho aconselhado as crianças a imaginar na sua fantasia imagens curativas, como por exemplo o pai e a mãe a passarem tempo juntos novamente durante uma tarde, sem discutir. E isto ajudou muitas vezes.

Pergunta: A educação, sob uma perspectiva sistémica, admite que os pais tenham valores diferentes, o que os liberta e muitas vezes faz com que consigam, em relação à educação, encontrarem em conjunto um maior número de valores. Além disso, recomenda-se que a criança também se aproxime dos valores dos seus pais que já morreram, dizendo-lhe, por exemplo: “o teu pai teria permitido que tivesse um computador“. Por é que isto tem um efeito de alívio também para o progenitor vivo?

Marianne Franke-Gricksch: Quando as mães estão zangadas com o marido de quem se separaram ou divorciaram, a maioria das vezes inconscientemente separam os filhos do pai e com isso sofrem a dupla carga do trabalho educativo. E vice-versa, os pais muitas vezes percebem até que ponto eles também são menosprezados como pais e então esquivam-se das suas obrigações para com a criança. Muitas vezes observei na prática que as mães queriam afastar os filhos dos pais porque estes bebiam. Nestes casos, tratava-se de filhos adolescentes que teriam ficado mais bem amparados se contassem com a presença do pai. Consegui que a mãe voltasse a permitir contactos mais longos, incluindo estadias durante as férias, e o pai voltava a desempenhar um papel importante e diminuía significativamente o consumo de álcool. Foi este o efeito do avanço da confiança.

Excerto de entrevista a Marianne Franke-Gricksch:  Una nueva comprensión de las relaciones entre alumnado, profesorado y familias (2006). In Cuadernos de Pedagogía nº 360 Septiembre 2006. Traduzido do espanhol por Eva Jacinto.
Desenho de Minoura Kentaro