Para encontrar a solução, há que procurar o amor…

Para encontrar a solução, há que procurar o amor…

“O problema surge ali onde a pessoa ama. Por esse motivo, só posso compreendê-la, a ela e ao seu problema, depois de ter encontrado o ponto em que o seu amor se manifesta. Assim, a solução deve actuar com a mesma força que causa o problema. Significa que aproveita o mesmo amor que deu origem ao problema. Apenas se dá outra direcção a esse amor, uma direcção mais sã e mais feliz, para todos os que estão envolvidos na situação. Amostro à pessoa como ela pode amar melhor e que, na solução, o amor é mais radiante do que quando se retém o problema. Este é, assim, o único segredo da psicoterapia.


Bert Hellinger In “El Manantial no Necesita Preguntar por el Camino” (2007 ed. castelhano, p. 124.), Editorial Alma Lepik. Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

Desenho de Simon Vince

A AMPLITUDE

A Amplitude, por Bert Hellinger

Gostaria de dizer algo sobre a amplitude. Muitos problemas surgem porque nos agarramos, por assim dizer, ao próximo e ao estreito. Quando olhamos para os nossos problemas ou para os problemas num relacionamento, ou para qualquer outro tipo de problemas, muitas vezes apenas incluímos o estreito, o próximo, o óbvio, e todo o contexto que faz parte do problema, escapa-nos.

Odilon Redon

Porém, o estreito e o próximo só têm a sua importância e a sua força na conexão com aquilo que os supera. Por isso, em geral, a solução passa por sairmos do estreito e do próximo e mover-nos em direcção ao distante, ao mais amplo. Então, em vez de olharmos para nós próprios, por exemplo, para os nossos desejos e para aquilo que consideramos serem os nossos problemas, as nossas mágoas ou os nossos traumas, olhamos para os nossos pais, para a família. De repente,estamos ligados a outra coisa, estamos unidos a muitas coisas. Assim, aquilo que talvez experimentemos como algo difícil ou como algo que nos causa sofrimento, tem o seu lugar nesse contexto maior.

Mas quando olhamos somente para a família, depois de algum tempo, a nossa visão fica novamente estreita. Precisamos também de olhar mais além dela, voltar a incluir a envolvente na nossa atenção e percepção e também no nosso amor, abrir-nos a ele. Então aquilo que na família parece irresolúvel, encontra um caminho livre.

Na psicoterapia existe também um desenvolvimento em direcção ao mais amplo. Existe a psicoterapia que se dedica predominantemente ao indivíduo, por exemplo, aos seus sentimentos. Aí, talvez tudo se vá desmembrando, e apesar de tudo o indivíduo não consegue superar-se.

Existe também a terapia familiar que inclui o campo mais vasto. Ela pode trazer soluções que não são possíveis na terapia individual. Contudo, a terapia familiar continua a ser limitada.

Então, pode-se ir mais além da terapia familiar e dirigir-se a algo maior. Isso toma-se possível mediante os “movimentos da alma”, quando nos deixarmos conduzir por ele. Porque esses movimentos caminham em direcção a algo maior.

Bert Hellinger (2007). El Manantial no Tiene que Preguntar por el Camino. Editorial Alma Lepik

Imagem: Odilon Redon, Onze Personnages

Traduzido do castelhano por EJ

PARTICIPAR NUMA CONSTELAÇÃO

Participar numa constelação, seja como cliente, como facilitador, como representante ou estar simplesmente presente nesse círculo que sustenta a constelação, é uma experiência que toca de forma profunda de cada pessoa.

Entrar no “campo” de uma constelação familiar permite o contacto consigo próprio: seja porque nos revemos em aspectos que estavam até aí ocultos para nós, e porque o “campo” do outro contém facetas que nos são comuns, ou porque se tem a oportunidade de presenciar os movimentos de solução e crescimento que ali operam.

A experiência do trabalho de constelação leva-nos a uma mudança na nossa forma habitual de pensar. Somos incentivados a ver a realidade relacional para além da natureza dualista, de ver o certo e o errado, o bom e o mau, a causa e o efeito. A ver que o passado e o futuro não são separados do presente. A perceber que as pessoas não são indivíduos, mas sempre partes de uma estrutura interrelacionada. A ver que tudo e todos estão interconectados de forma inextricável.

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