Separação

Separação e afastamento

Por Bertold Ulsamer

 

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Edvard Munch: Separação, 1894

O amor muitas vezes corre mal, as relações terminam. Parceiros partem, novos parceiros se juntam. Como podemos lidar com isto de uma forma resoluta?

Normalmente, o fim chega sem que ninguém tenha de se sentir culpado. A relação terminou porque cada pessoa está emaranhada no seu próprio enredo, ou porque alguém toma um rumo diferente ou está a ser conduzido para um caminho diferente. Contudo, assim que começo a sentir culpa, tenho a crença e a ilusão de que eu ou a outra pessoa poderíamos fazer alguma coisa; que o outro ou eu próprio só teríamos de nos comportar de uma forma diferente, a fim de que tudo fosse salvo. Nessa altura, a grandeza e a profundidade da situação é mal interpretada e a culpa e as acusações de um contra o outro irão ser investidas. A solução está em que ambos se submetam à sua tristeza, à sua dor profunda, a tristeza e o pesar pelo facto de a relação ter chegado ao fim… Quando uma separação ocorre, a raiva frequentemente serve de substituto para a dor e tristeza.

Os parceiros anteriores continuam a fazer parte do sistema. Nas colocações dos sistemas actuais, estes parceiros continuam a ser colocados. Por vezes existem tensões que ainda não foram resolvidas. Nesse caso, é importante que as coisas que ficaram por dizer sejam expressadas, por exemplo: “tenho pena” (“sinto muito”). Quando os ex-companheiros recebem “um bom lugar”, eles podem tornar-se apoiantes e serem uma fonte de poder. “Um bom lugar” significa que eles estão a ser honrados e respeitados como ex-companheiros e predecessores. A melhor prova disso são as relações de amizade que continuam a existir após a separação ou que começam a desenvolver-se de novo.

A supressão terá um impacto negativo no presente e no futuro da própria família. Se o ex-parceiro não é considerado como sendo parte do sistema, se a sua existência estiver, por exemplo, a ser negada, isso tem um efeito particularmente mau quando nascem crianças. A criança irá representar o ex-parceiro. A família estará em desordem. Suponhamos que o pai teve uma companheira antes (não importa se foi um namoro, uma relação duradoura ou um casamento). A filha da relação actual vai assumir o papel desta ex-companheira, a filha está “emaranhada” com esta pessoa. Como resultado, esta filha estará particularmente próxima do pai, passando a existir rivalidade entre ela e a sua mãe. Neste caso, a filha nunca poderá estar completamente tranquila no seu papel de criança, uma vez que ela tem ainda de representar a ex-parceira. É somente quando a ex-parceira recebe o lugar que merece que a criança poderá libertar-se desse papel extenuante. É importante que os ex-parceiros sejam respeitados por ambos os membros do casal, e não como no caso acima, em que o sucessor ainda estava com ciúmes do seu antecessor. Seria salutar para esta se ela, na colocação, desse um passo em frente da sua predecessora e dissesse: “Agradeço-te por teres dado espaço para eu entrar”. E talvez ela pudesse acrescentar: “Por favor, olha para mim e para minha família de uma forma amigável”.

Traduzido do inglês por Eva Jacinto

Fonte: http://www.ulsamer.com/order_in_love.html

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