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Que se passa com Bert Hellinger e as suas constelações?

 

Que se passa com Bert Hellinger e as suas constelações? O que é que provoca este interesse, e até mesmo fascínio, pelo seu trabalho? Anteriormente, já desde os anos 50 do século XX, outros terapeutas tinham descoberto a enorme influência da família e das suas implicações nas dificuldades que levavam as pessoas a um tratamento constelação com BHellinger no Méxicopsicoterapêutico, aplicando esta perspectiva (denominada sistémica) na procura de soluções. Contudo, ninguém como Hellinger demostrou a evidência de tal ascendente familiar, revelando, graças às constelações, que durante várias gerações certos factos importantes na história da família que não tenham sido resolvidos na sua época própria, continuam a actuar como se tivessem acabado de acontecer, inclusivamente em filhos e netos que nada sabem sobre esses assuntos. Acontecimentos familiares como crianças que morrem precocemente, abortos, relações violentas, migrações, parceiros anteriores ao casamento, doenças ou acidente graves… – factos que, em última análise, mudam o destino da família, podem provocar consequências que se “herdam”, ainda quando os seus protagonistas iniciais já tenham falecido.

As pessoas que exploram as suas próprias dificuldades a partir desta perspectiva podem encontrar sentido e soluções para comportamentos e estilos de vida que comportam infelicidade, que os mantiveram emaranhados e cuja origem desconheciam. Muitas das pessoas que fazem psicoterapia sabem como seria viver com mais felicidade, contudo, incompreensivelmente sentem-se impelidos a repetir certos comportamentos que as tornam infelizes. É surpreendente comprovar com que eficácia as constelações conferem alívio e soluções às pessoas com dificuldades severas e prolongadas e como frequentemente elas assumem com “naturalidade” o nexo dos seus problemas com factos estranhos à sua vida individual.

 

Ángel Martínez Viejo, Psicólogo, In Descubrimentos en la familia intergeneracional

(Tradução de EJ)

LOGRAR A PAZ

 

Muitas pessoas que lutam pela paz querem mudar os outros. Querem que os outros sejam como eles próprios. E isto, claro, é contrário a toda a paz verdadeira.

A paz estabelece-se se reconhecemos as diferenças e se amamos as diferenças e se estamos abertos para integrar em nós próprios o que os outros têm para oferecer. Outras famílias, outras nações, outras religiões, outras culturas.

E se reconhecermos que ambos têm direitos iguais e de valor igual, então podemos chegar a um acordo que permita a ambos os lados manter os seus valores peculiares, salvaguardando os seus valores e o seu território também. Então pode haver acordo.

Qual é o maior obstáculo à paz? – É o recordar.

Evocação (1944), de  Nadir Afonso
Evocação (1944), de Nadir Afonso

Recordar o que sucedeu aos nossos antepassados. E nessa altura tomamos para nós a tarefa de fazer justiça por eles, embora eles estejam mortos há já muito tempo e por certo nem o querem. Mas os vivos encontram uma justificação a partir daquilo que sucedeu aos seus antepassados para se tornarem assassinos. E por meio do recordar começam novas guerras e fazem novas injustiças, os assassinatos continuam e a paz fica cada vez mais distante.

Outro obstáctulo à paz é que um grupo pense que é melhor que o outro grupo. Na realidade todos os grupos pensam assim, todas as famílias pensam assim. E como pode isso ser? Porque são governados pela sua consciência e a principal função da consciência é a de ligar-nos à nossa família e aos valores da nossa família e, no mesmo movimento, através da nossa consciência excluímos os outros e pensamos que eles não são tão bons como nós.

Assim, a paz só se consegue alcançar se estivermos dispostos a ir além dos limites das nossas consciências e, através disso, deixarmos para trás a diferenciação entre boas e más pessoas. E a essas distinções, que são a base dos conflitos. Por detrás da consciência está a alma; se permitirmos à alma mover-se e dirigir-nos, esse é um movimento para a reconciliação. (…)

Na vida do quotidiano, se pessoas de partidos opostos se encontram, ambos tendo o desejo de estabelecer a paz entre eles, têm de superar esta diferenciação e respeitar os outros como iguais. Adicionalmente devem olhar para as vítimas e para os agressores do seu próprio grupo e do outro grupo e, olhando para eles, fazer o luto por todos eles. Este luto em comum permite-nos deixar o passado para trás e trabalhar juntos, em comum, por um melhor futuro em paz.

 

Bert Hellinger

In As dimensões da Paz, Congresso Internacional em Oaxaca, México, Novembro de 2003

(Documento em vídeo. Tradução do inglês por Eva Jacinto)

Os maus e os bons na família

Os maus e os bons na família

por Bert Hellinger

Há algo mais a ter em conta. Algumas pessoas são excluídas de um sistema porque se diz que elas não são dignas, por exemplo, alguém que é jogador ou alcoólico, homossexual ou criminoso. Sempre que uma pessoa é excluída desta forma, por alguns dizerem “eu tenho mais direito a pertencer do que ele ou ela”, o sistema fica perturbado e faz pressão para que haja uma reconstrução ou reparação do mesmo. Porque aquele que foi separado ou excluído desta maneira, será imitado numa geração mais à frente por um descendente, sem que este se dê conta. Este descendente vai sentir-se como o excluído se sentiu, comportar-se como ele se comportou e frequentemente acaba como ele.

Árvore 155, de Toni Demuro
Árvore 155, de Toni Demuro

Para isto há uma única solução. É necessário voltar a incluir no sistema aquele que foi considerado mau e reconhecer que ele tem o mesmo direito de pertença que os outros. E há que dizer-lhe: “cometemos uma injustiça contigo e temos pena de o termos feito”. Imediatamente será possível ver que é justamente da pessoa que tinha sido excluída que emana uma força grande e positiva para os descendentes. Essa pessoa torna-se uma espécie de patrono para eles.

Nas constelações familiares dá-se a curiosa observação de que em relação ao bem e ao mal, aquilo que se manifesta é geralmente o inverso daquilo que se apresenta. Aquele que é indicado como sendo o bom frequentemente se verifica ser o mau e aquele que é considerado o mau verifica-se que é o bom, de quem emana uma força positiva. Por esse motivo, só é possível fazer terapia sistémica quando os excluídos e os maus são tomados no coração e tratados com respeito. Estranhamente, no instante em que o faço ganho a confiança de todos os outros membros do sistema. Instintivamente sentem confiança em mim. Contudo, se eu me cinjo àquilo que ouço e digo ao cliente: agora diz ao teu pai ou ao teu tio de uma vez por todas que ele é um canalha, ou ao pai que abusou de ti que ele é um sujeito mau, já ninguém do sistema sente confiança no terapeuta. As soluções conseguem-se somente mediante o amor. Uma vez compreendidas estas dinâmicas, a única coisa que se pode fazer é trabalhar colocando o amor na dianteira.

Bert Hellinger InEl Manancial no Tiene que Preguntar por el Camino
Editora: Alma Lepik, Buenos Aires
Tradução do castelhano – Eva Jacinto

Onde está a felicidade?

foto de familia

“As crianças raramente ou nunca se atrevem a viver uma vida mais feliz ou mais realizada do que a dos seus pais. Inconscientemente permanecem fiéis às tradições familiares que actuam em surdina e de forma invisível. As Constelações Familiares são um meio de descobrir os laços e as forças familiares subjacentes, que inconscientemente têm sido carregadas ao longo de várias gerações “.

Bertold Ulsamer