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CONSTELAÇÕES E TERAPIAS BREVES

 

As terapias breves têm a peculiaridade de se concentrarem no coração da questão, deixando de fora a abundância de especificidades. De imediato movimentam-se para o centro, para a raiz, para o coração.

As constelações familiares são também terapias breves devido ao facto de que com poucos passos trazem à tona dinâmicas familiares que estavam ocultas e com frequência espontaneamente aparece uma resolução. Por regra, uma constelação familiar pode durar 20 a 50 minutos. Isto é extremamente curto, se considerarmos o quanto emerge e o quão vastos podem ser os seus efeitos. Ainda assim, toda a família é trazida a essa imagem e muitas pessoas podem ser afectadas pela resolução alcançada.

Georgia O’Keeffe, Pond in the Woods, 1922
Georgia O’Keeffe, Pond in the Woods, 1922

(…)

O indivíduo é visto no contexto de relações e conexões, mas o foco está numa pessoa, numa relação com uma ou talvez duas pessoas. O interesse está na resolução ou no restabelecimento de um movimento previamente interrompido em relação a uma pessoa. Pode ter a ver com trazer à consciência uma verdade temida ou evitada, permitindo ao cliente olhar directa e imediatamente para a situação actual, e permitir que esta verdade apresente uma solução. (…)

(…) são constelações familiares altamente concentradas, reduzidas ao absolutamente essencial. Raramente envolvem mais do que dois ou três representantes. Às vezes o processo de resolução ocorre com quase nenhuma intervenção do terapeuta, onde o cliente e os representantes operam num campo de energia que revela uma direcção clara.

 

Bert Hellinger na introdução ao livro “To the Heart of the Matter. Brief Therapies” (2003). Carl-Auer-Systeme Verlal. Heidelberg.

Traduzido do inglês por Eva Jacinto

 

Reticência

Reticência

 

(Depois de uma constelação para uma criança autista)

Participante: Quando antes ouvimos aqueles gritos, foi dito que esta era a saída do autismo. Será que isso significa que a criança poderia ficar boa?

Hellinger: Você tem de ouvir-me atentamente. Eu disse: “Esta é a irrupção do autismo”. Pudemos ver isso aqui. O que realmente aconteceu, eu não sei. Então, se alguém pergunta, tal como você o está a fazer agora, “será que isto vai ajudar realmente?”, o que é que acontece na sua alma? Você está em sintonia com o que está a acontecer ou a sua conexão interior foi interrompida?

Georgia O'Keeffe - Light Coming On The Plains III 1917
Georgia O’Keeffe. Light Coming On The Plains III, 1917.

Participante: Então, se eu estiver sempre assim, não estou em sintonia?

Hellinger: Exactamente. Mas a questão não o afecta apenas a si, afecta também o sistema do cliente. Tais perguntas curiosas interferem com o movimento da alma. Portanto, é necessária reticência, reticência completa. Sem dúvida que eu teria também prazer em saber se a criança estaria a ficar melhor. Eu tinha isso no meu coração. Contudo, não me atrevo a fazer algo parecido.

Sempre que queremos alcançar um fim específico, quer seja em psicoterapia, quer seja no trabalho social ou em casa – assim que um objectivo específico seja determinado – as coisas correm mal. Correm mal porque nos colocamos no lugar de um movimento superior. Queremos correr na frente, forçar algo. Nesse momento, perdemos o contacto com os poderes maiores. O que nos controla, esta alma maior, tem em mente, inclui, mais coisas. Quando nos confiamos a ela, conseguimos muito mais do que aquilo que tínhamos imaginado.

Em psicoterapia e em casa fazemos a pergunta: o que é aconteceu ali? Porque é que foi deste ou daquele modo? Estas perguntas perturbam os movimentos da alma, enfraquecem. Mas se nos mantivermos somente ali, em consonância com o todo, imediatamente irradia. Nesta posição, um poder maior funciona em segundo plano. Os chineses chamam-lhe “actuar através do não-agir”.

Ao intervir, retiro-me sempre do meio. De repente, quando me retiro desta maneira, uma frase vem ter comigo, ou o próximo passo. Eu sigo-o, mas não sei onde isso vai levar. Então, mais uma vez eu espero um pouco e assim algo se vai desdobrando passo a passo.

A forma como deve encarar isto é: assim como aqui os representantes percebem directamente o que está a acontecer na família, a família imediatamente percebe o que se passa aqui. Assim, as soluções que encontramos aqui alcançam a família também.

Há uma história que se conta em Colónia. Eles lá tinham uns duendes muito úteis, que faziam o trabalho das pessoas durante a noite e faziam-no muito bem, mas só trabalhavam quando não estava ninguém. Um dia uma mulher quis saber exactamente o que eles faziam e esse foi o fim de tudo. Este é um belo exemplo para o que acontece aqui. É exactamente assim.

Esta extrema reticência é sempre cheia de respeito. E esse respeito dá asas a algo na alma. Abre um espaço na alma. Quando surge uma pergunta, a alma contrai-se: “o que é que ele quer agora de mim?” Ninguém se coloca a pergunta “o que é que o sol quer de mim?”, ele brilha somente. Portanto, eu deixo brilhar em mim – sem perguntas.

 

Bert Hellinger In Help for the Soul in Daily Living, Junho 2011

Tradução do inglês por Eva Jacinto

 

Constelações familiares com pessoas da família

Constelações familiares com pessoas da família

 

PARTICIPANTE: Gostaria de saber se este trabalho pode ser feito com a família real, actual, em vez de se fazer com estranhos. Tendo um problema com uma família muito complicada, posso trazer todos os membros da família e fazer a constelação com as próprias pessoas?

Bert Hellinger foto
Bert Hellinger

HELLINGER: A pessoa que faz uma constelação é um membro da família, mas geralmente não permito que se coloquem como representantes na sua constelação pessoas da sua própria família. A pessoa tem que escolher um representante estranho, porque assim não pode interferir com os seus preconceitos ou ideologias na constelação, ou com aquilo que aprenderam numa outra terapia qualquer. Às vezes a pessoa que apresenta um caso, influencia as coisas com o simples facto de as definir como “problema” ou ao descrevê-las de uma determinada maneira. Quando se usam representantes, a pessoa pode apenas ver. O movimento vem da alma e ele ou ela pode entrar em sintonia com o que está a acontecer. Quando este processo termina, permito que a pessoa seja colocada na constelação. Se toda a família estiver presente, também. Deixo que todos olhem para a forma como a família é colocada pelo pai ou pela mãe e que observem. Às vezes tenho duas pessoas da família, a configurar a família por turnos e assim podem ver-se duas versões diferentes. No final da constelação, quando conseguimos ver qual poderia ser a solução, permito que eles tomem os seus próprios lugares na constelação.

Vou dar-vos outro exemplo: numa ocasião fiz constelações familiares numa clínica psicossomática e os pacientes não se sentiam confortáveis com a ideia de se exporem a este método. Então ficaram apenas sentados enquanto os seus terapeutas colocavam as suas famílias. A única questão que os terapeutas fizeram após a colocação das famílias foi: “está bem assim ou não?”. Às vezes, os pacientes davam sugestões sobre como ele se deveria modificar a colocação. Na constelação, os terapeutas representaram seus próprios pacientes. No final, nem sequer pedi aos pacientes para tomarem o seu lugar na constelação. Apenas a olhavam. Depois, alguns vieram ter comigo e disseram: “Obrigado, isto ajudou-me.” Eles não tiveram que fazer nada, apenas observavam.

 

Bert Hellinger In Raquel Solloza por sus Hijos (2006), Editorial Herder

(traduzido do castelhano por Eva Jacinto)

A PERCEPÇÃO DENTRO DA CONSTELAÇÃO

 

Este excerto foi retirado de uma conferência dada pelo Dr. Albrecht Mahr no evento International Transpersonal Association Conference, que ocorreu em Junho de 2004 em Palm Springs, EUA. Trata-se de um interessante discurso sobre o campo de conhecimento que se gera numa constelação familiar e o processo perceptivo que ocorre com os representantes dentro da constelação.

 

casal mapa 2

“Deixem-me explicar com maior detalhe: o que é uma constelação familiar? Sem que tenha fornecido qualquer informação prévia, um cliente configura uma pessoa que se encontra no grupo para representar a sua mãe ou pai, um colega, o seu próprio coração, o soldado japonês que salvou a vida do seu pai, o seu país, a sua fé ou a velhota vestida de um modo estranho que lhe apareceu em sonhos na noite passada. Na prática qualquer elemento, qualquer ser ou qualquer processo com um impacto importante sobre a pessoa, sobre a sua família ou sobre o seu grupo, pode ser representado. O representante “sabe” na sua experiência corporal, pelas emoções, imagens e pensamentos que vão emergindo na sua mente, a condição interna da pessoa ou elemento representado – muitas vezes de uma forma surpreendentemente precisa e significativa.

Este processo é simples e embora possa ser, ocasionalmente, dramático, é tão natural como respirar. Chamámos a este processo “percepção representativa”. A percepção representativa não requer nenhum conhecimento profissional, nenhum treino especial, nem um estado intelectual, psicológico ou espiritual especialmente evoluído. Não há especialistas em percepção Continuar a ler