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CONEXÃO ENTRE REPRESENTANTES E REPRESENTADOS

O que é que isto [a constelação] demonstra?
Demonstra que estamos conectados de uma forma muito profunda com muitas outras pessoas.
E aqueles que entram numa constelação como representantes, de certo modo deixam o seu próprio sistema e entram noutro sistema, ou poderíamos também dizer que entram num outro campo. E nesse campo entram em ressonância com tudo o que pertence a esse campo particular.

BERT HELLINGER
Primeiro Seminário Internacional – “Los Órdenes de la Ayuda” -, realizado no ano de 2004 no México, organizado pelo Instituto Bert Hellinger de México.

Traduzido e legendado por Eva Jacinto

O CAMPO MÓRFICO

O CAMPO MÓRFICO

Por Ursula Franke*

No contexto da nossa socialização aprendemos que tudo aquilo que acontece dentro do nosso corpo e da nossa psique deve ser atribuído ao nosso “Eu” e, consequentemente, somos disso responsáveis. Aprendemos que os nossos sentimentos, actos e pensamentos surgem de nós e é em nós também que eles ganham sentido. Contudo, o pensamento em acção nos contextos sistémicos e as experiências que fazemos no decurso das constelações sugerem que só parcialmente isso é verdade.

Nesse sentido, o trabalho de Bert Hellinger revolucionou o conceito de indivíduo. Os “vínculos invisíveis” de uma família ou de um sistema tornam-se visíveis através de uma constelação. Os representantes e os pacientes experimentam fisicamente o modo como o indivíduo está inserido no seu contexto e como a presença e a proximidade de um elemento actua sobre cada um dos outros elementos que estão dentro do sistema. Se, por exemplo, numa constelação a filha está parada em frente ao pai, experimenta um estado físico e psíquico que é possível de ser descrito com precisão, o qual se altera por apenas se incorporar outra pessoa, por exemplo a mãe ou o pai do pai.

Podemos imaginar que o nosso corpo absorve as informações da área circundante como uma caixa de ressonância, tal como um instrumento musical ou um recipiente que vibra com os sons que o envolvem. Vistas as coisas desta maneira, podemos entender que estamos em condições de participar dos sentimentos e também dos estados físicos dos outros e experimentar e perceber dentro de nós, especialmente no nosso corpo, estas qualidades do outro. Isto, por sua vez, significa que possivelmente os sentimentos e os estados físicos que experimentamos nem sempre surgem de nós próprios, nem são, por conseguinte, nossos, mas antes sentimentos e percepções “alheias”, que ressoam em nós e cremos serem nossas porque as experimentamos no nosso corpo e mente.

Rupert Sheldrake retomou a antiga ideia de um todo envolvente, avançou no seu desenvolvimento e fez dela o centro das suas investigações. O autor descreve os princípios básicos do campo mórfico que reflectem os princípios de Tales de Mileto Continuar a ler