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O que são Constelações Familiares?

Na preparação do 1º Congresso Internacional de Constelações em Portugal, Lisboa, dias 18 e 19 de Outubro 2019 – Vídeo bem desenvolvido, falado em português e com legendagem em espanhol e inglês, onde se explicam os alicerces das constelações familiares.

As constelações são uma linguagem

Por Tiuu Bolzmann*

As constelações familiares são uma ferramenta sistémica, fenomenológica, vincular, para descobrir o funcionamento invisível das relações humanas e possibilitar a integração de todos os membros e factos do sistema e, consequentemente, contribuir para que cada pessoa encontre o seu lugar no mundo.

Psicologia e psicoterapia são disciplinas diferentes. Cada uma tem a sua própria epistemologia, o seu objectivo e o seu propósito.

Paul Klee, Guardian Celeste, 1948

As constelações familiares não são nem psicoterapia nem psicologia e não têm lugar entre as disciplinas que estão actualmente reconhecidas num nível formal. É uma disciplina nova, com um quadro particular. O reconhecimento dessa diferenciação levará tempo até ser formalmente integrada.

Procurar encaixar as constelações familiares numa das disciplinas existentes seria como meter um automóvel num aquário. Para encaixá-las no que já existe, tanto o automóvel como o aquário, deixariam de ser o que são.

Como sempre, quando algo novo e desconhecido está prestes a ser integrado, é necessário encontrar denominações que não prejudiquem as estruturas das disciplinas já existentes, nem limitem aquilo que é novo e se esforça por se diferenciar.

As constelações familiares são uma nova “linguagem” sistémica, fenomenológica, relacional, que permite traduzir as dinâmicas invisíveis dos vínculos humanos. Esta linguagem pode ser usada em qualquer contexto e relativamente a qualquer questão.

A “linguagem” das constelações ajuda a revelar a parte invisível dos relacionamentos, em todos os contextos. Embora as Ordens de Amor enunciem leis gerais que regem os sistemas, não devemos pensá-las mecanicamente nem automatizá-las, pois elas não se mostram em todos os sistemas da mesma maneira no mesmo momento.

Existem diferentes níveis em que se trabalha com as constelações. O trabalho pode simplesmente revelar alguns princípios básicos, por exemplo, a posição de cada um na família, ou mostrar quem falta, ou a quem foi negado o direito de pertencer; pode modificar a compreensão da pessoa sobre si mesma e mudar a sua atitude em relação aos outros membros do grupo; e pode levar a revelações essenciais para a pessoa que consulta. Em qualquer caso, o olhar é sempre posto na totalidade do sistema em questão. É por esse motivo que o trabalho não satisfaz apenas uma pessoa e a “solução” dá-se sempre ao nível sistémico. Não existe algo que faça bem a um, sem que faça bem a todos. Se alcançamos o bem de um, mas este produz mal no outro, então não encontramos a solução sistémica.

Para facilitar constelações familiares não é necessário um estudo académico. É necessária uma formação em constelações familiares que inclua o estudo profundo das Ordens de Amor e, além disso, é necessária a experiência de vida, uma atitude livre de julgamento, desenvolvimento pessoal e prática espiritual. O facilitador tem de ter a capacidade de manter-se em contacto e colocar-se em ressonância com a pessoa e com o seu sistema, para que possa proporcionar que se integre tudo o que lhe pertence.

As constelações familiares são uma linguagem que o facilitador usa para que a pessoa possa desenredar a complexidade da sua problemática. Quando o consultante alcança esse entendimento, a energia entre todos volta a fluir e cada um pode colocar-se no seu lugar, assumir os seus próprios assuntos e comunicar adequadamente com seu ambiente.

Recapitulando: como responder então à pergunta “O que são as constelações familiares?”

São parte de um novo paradigma. Uma visão holística da vida e da saúde. É uma ferramenta que nos permite “exteriorizar” a realidade em que estamos imersos e que não a conseguimos ver enquanto estamos “dentro”.

Isto é algo novo, realmente novo!

Tiuu Bolzmann (2019). Le Evolución No Accepta Límites o ¿qué Son las Constelaciones Familiares? In Ecos Boletin. Julio/ Agosto de 2019 – No 84
Acedido aqui: http://www.peterbourquin.net/inicio/

Traduzido do espanhol por Eva Jacinto
Imagem: Paul Klee, Guardian Celeste, 1948

AS ORDENS DO AMOR

Excerto de uma entrevista feita pelo jornalista e autor Martin Buchholz a Bert Hellinger, que apareceu originalmente na revista “Help for Daily Living” em Outubro 2013.

 

Martin Buchholz: Em primeiro lugar quero colocar uma questão sobre a expressão por si cunhada “ordens do amor”. O que significa?

Bert Hellinger: Ordem é aquilo de acordo com a qual algo se desenvolve. Uma árvore, por exemplo, desenvolve-se de acordo com uma ordem. Caso contrário não irá ser uma árvore. E ainda assim cada árvore é diferente. Ordem não é algo de estático. É um princípio vivo.

O amor significa aqui, é claro, a relação entre os seres humanos. Ele também ocorre de acordo com certas ordens. Quando temos conhecimento sobre estas ordens, os nossos relacionamentos tornam-se mais bem-sucedidos.

Martin Buchholz: Como sabe quais as ordens que nos são dadas?

Bert Hellinger: Eu não obtive esse conhecimento no sentido de reflectir sobre o assunto e com isso alcançá-lo. Isto não é possível dessa forma. Estas ordens revelam-se a si mesmas. Vou voltar ao exemplo das árvores. A aparência da árvore mostra a ordem de acordo com a qual ela cresce. Assim, um abeto cresce de forma diferente de um carvalho. Elas seguem ordens diferentes. Posso ver essas ordens e distinguir entre elas. Algo de semelhante ocorre com as relações humanas. Quando as pessoas acatam certas ordens, o amor decorre de uma melhor forma.

Martin Buchholz: Quando descreve essas ordens, por vezes inesperadamente uma verdade revela-se. Gostaria de saber se se experiencia a si mesmo como uma espécie de médium. Quem é que traz estes factos à luz?

Bert Hellinger: Aqui temos de ter em mente que tudo acontece por meio dos representantes. Podemos observar que os representantes, de repente, se sentem como as pessoas que eles estão a representar. Então, eles estão em conexão com algo maior e é nesse campo que sentem alguma coisa. Quando eu dirijo algo assim, também estou em conexão com este campo. Recebo informações a partir daí, desde que e enquanto eu me expuser. Eu acompanho essa informação. Mas se eu pensar “o que eu tenho que fazer agora?”, então eu já não estou em contacto com esse campo. Esse contacto só é possível através da máxima contenção. Exactamente porque eu não tenho nenhuma intenção ou desejo especial, estou em contacto com algo maior e estou, portanto, a ser conduzido.

A este algo maior, podemos dizer, a este campo – alguns chamam-lhe campo. Eu chamo-lhe uma alma compartilhada. Platão já sabia que para tornar a comunicação realmente possível, por exemplo, entre nós os dois, alguma coisa tem de estar entre nós de modo a que eu o entenda plenamente. Ele designava-o por alma.

Zhang DaQian

Martin Buchholz: Às vezes fala de algo que designa através de numerosos termos. Tomei algumas notas: o envolvente último, o grande modelo, o grande todo. Obviamente que se trata de algo que é difícil de descrever, mas o que é que dizer?

Bert Hellinger: Não quero dizer nada. É bastante claro que chegamos ao limite da nossa compreensão, mas aqui temos um sentido, há algo mais que opera. Mas não o conseguimos perceber.

Martin Buchholz: O conceito de alma que utiliza é um termo que geralmente reconhecemos na filosofia ou na teologia. Na psicoterapia tradicional provavelmente usar-se-ia o conceito com cautela.

Bert Hellinger: É o que geralmente acontece com tais conceitos, é exactamente assim.

Martin Buchholz: Isso é uma queixa que as pessoas fazem. Por favor, tenha a bondade de explicar o que quer dizer com isso.

Bert Hellinger: Eu posso defini-lo, não no sentido de o identificar com precisão, mas pode-se descrever a alma através do efeito que ela tem.

Onde quer que vejamos a alma a operar, ela tem duas funções básicas. Primeira, ela une alguma coisa. O nosso corpo, por exemplo, é mantido unido por um poder que coordena todas as funções corporais. Perguntamo-nos que tipo de poder é esse. É a alma.

Em segundo lugar, a alma conduz-nos numa direcção definida. Mas a alma não se limita ao nosso corpo ou a nós como um indivíduo. A família também tem uma alma. Portanto, todos os membros da família respondem de acordo com leis definidas pela alma. Enredos e comunidades de destino só existem por esse motivo. Estes membros da família têm uma alma comum. E, além disso, existem conexões maiores ainda.

Então, há algo que tem um efeito. Eu chamo-lhe a alma. Mas eu não estou a dizer que sei o que isso é. Até agora não encontrei um termo melhor. Bem, na China, encontrei um melhor: o Tao.

O Tao é um poder que dirige e controla tudo. E aqui também no Tao de King, o livro fundamental atribuído a Lao Tse, ele diz: o Tao que pode ser nomeado não é o Tao. Mas toda a gente percebe que existe um tal poder. A palavra Tao é mais geral e evita a apreensão da definição ainda mais facilmente do que a palavra alma. Na China eu uso a palavra Tao. Está mais próxima de mim, de qualquer forma.

Martin Buchholz: Os aspectos importantes sobre constelações familiares segundo Bert Hellinger estão relacionados com a psicoterapia ou com questões de fé, ou ainda com uma atitude básica que é quase religiosa?

Bert Hellinger: Nenhuma delas. Muitos vêm para as constelações familiares mesmo não estando doentes. Para eles as constelações familiares não têm nada a ver com doença ou com psicoterapia. E não são pessoas psicologicamente perturbadas. São pessoas cujo caminho na vida em alguns aspectos chegou a um impasse. Esta é uma matéria humana geral.

A pessoa está talvez à procura de uma saída, ou de uma solução. Neste sentido as constelações familiares estão mais perto da filosofia. É um saber sobre a vida.

 

Excerto de uma entrevista feita pelo jornalista e autor Martin Buchholz a Bert Hellinger, que apareceu originalmente na revista “Help for Daily Living” em Outubro 2013.

Fonte: A Closer Look at Constellations. An Interview With Bert Hellinger 07/30/2014

Tradução do Inglês por Eva Jacinto

Pintura de Zhang DaQian

O QUE SÃO AS Constelações Familiares

Constelações Familiares

Trata-se de um método psicoterapêutico, criado por Bert Hellinger, que se diferencia dos métodos psicoterapêuticos tradicionais no que diz respeito à análise dos problemas do cliente e à forma de procurar a sua solução.
Narda Lebo

Inscreve-se numa linha de trabalho que coloca em situação (em constelação) os elementos do sistema e as imagens internas do cliente, através do recurso a participantes que os representam, trabalhando com a percepção que surge através desses representantes.

De uma forma rápida e efectiva este método permite que o cliente obtenha compreensões muito claras acerca das dinâmicas e enredos familiares que mantêm os problemas, alcançando por essa via importantes movimentos de compreensão e solução.

Nas diferentes secções desta página encontrará mais informações sobre este método e sobre a forma de realizar a sua própria constelação pessoal.

 

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