A essência do trabalho com as constelações familiares

Há uma frase de Bert Hellinger que revela a essência do trabalho com as constelações familiares: “Tudo o que ocorre e se mantém por amor, só pode resolver-se com amor”. Os filhos partilham, por amor, as energias e os enredos da família.

Superficialmente aparenta ser diferente. A minha imagem é a de um deserto seco e tórrido, onde nada cresce, salvo alguns cardos e cactos espinhosos.

Mrs Norris wonders if she just saw an angel,  de Lynne Hoppe

Através das constelações familiares escavamos nas profundezas e procuramos água. Nalgum momento a encontraremos, algumas vezes depois de uns poucos centímetros e outras depois de cavar metros com dificuldade. Uma vez encontrada, a água brota clara e cristalina à superfície. Ainda quando ao princípio o terreno aparente ser deserto e desolado, vemos agora que as sementes ocultas começam a germinar. É na profundidade de todas as famílias que se encontra a água necessária para a germinação, não importa quanto, visto de fora, tudo isso mal se veja.
Pois, a razão pela qual um ser humano se torna malvado durante o curso da sua vida deve procurar-se no vínculo com os seus antepassados.
Aqui é onde se encontra o amor e onde as pessoas partilham.

Somente no terreno do vínculo amoroso podemos solucionar estes enredos. A ira e o desprezo não são o fundamento para uma solução. Tudo aquilo que pretendo erradicar com ira, volta a entrar pela porta traseira. A ira actua como um elástico. Pode ser que, com muita energia, consiga uma forma de comportamento para mantê-la afastada por um tempo, contudo, quando baixar as minhas defesas ou a minha atenção, esta voltará imediatamente ao seu lugar de origem.

O amor que vincula um filho à sua família é imenso. Se necessário, um filho dará a sua vida pela família, sem pensar duas vezes. O desejo de pertencer à família é sentido em todas as fibras do seu ser. Por isso partilha os destinos e sofrimentos dos outros membros da família. O filho não vê o outro como pessoa independente. Somente o percepciona e deseja fundir-se nele.

Bertold Ulsamer (2004). Sin raíces no hay alas. La terapia sistémica de Bert Hellinger. Ediciones Luciérnaga. Barcelona

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

Imagem: ‘Mrs Norris wonders if she just saw an angel’, de Lynne Hoppe, 2013.

TOMAR OS PAIS SEM OS SEUS ENREDOS

Tomar os pais sem os seus enredos

Comentário de Hunter Beaumont *

 

(…)

Louise Bourgeois, “Self-portait”, 1990

Quando julgas os teus pais e dizes “tu não és digno de ser o meu pai ou a minha mãe”, encontras-te sob o risco de meramente trocares um emaranhamento por outro. De modo a realmente envolver-se no processo de crescimento espiritual, precisas de deixar os emaranhamentos da tua família, mas precisas de te conectar com a fonte da vida com a verdadeira natureza das coisas.

Se conseguirmos aprender a nos desenredarmos daquilo que nos magoa e a conectar com os nossos pais como fonte de vida, então teremos todos os recursos da vida disponíveis. Os nossos pais são a nossa conexão à fonte da vida. Então, o movimento de desenredo exige conectarmo-nos aos nossos pais como fonte de vida. É um movimento complexo, mas não conheço nenhum outro movimento que resolva o problema.

Estranhamente, e tal como aqui vemos com frequência, o movimento é bastante fácil de fazer nas constelações.

 

* In Bert Hellinger, Hunter Beaumont (1999). Touching Love, Volume 2. A Teaching Seminar with Bert Hellinger and Hunter Beaumont. Heidelberg: Carl Auer System Verlag.

Tradução do inglês por EJ

 

LIBERDADE PESSOAL

 

LIBERDADE PESSOAL E ESCOLHA

Por Stephan Hausner*

Tal como não tivemos escolha em relação aos nossos pais e em relação à história da família a que estamos ligados, também estamos sujeitos às forças da ordem da consciência colectiva desse sistema. No entanto, através da nossa atitude – aquela que adoptamos perante as pessoas que nos pertencem, perante as suas vidas e destinos -, temos alguma influência sobre a intensidade com que estamos presos e nos deixamos reter nos enredos familiares ou sobre o modo como podemos estar vinculados de uma maneira salutar e, dentro das nossas possibilidades, desvinculados e em maior medida independentes.

Não há dúvida de que cada pessoa recebeu algo dos seus pais e também sente que lhe falta alguma coisa por parte deles. Tudo depende daquilo a que pessoa se vincula. Se olha para o que recebeu, sente-se favorecida e por consequência tem algo para dar. Se fica na exigência e se liga àquilo que não pode receber, pode acontecer que se sinta enganada pela vida e pelos seus pais: as coisas correm-lhe mal, falta-lhe algo e por consequência, frequentemente, não está disposta ou não está em condições de dar. Com esta atitude, muitas pessoas tornam-se depressivas.

Ernesto Shikhani 1993 sem titulo

Ernesto Shikhani ,1993.

Estar em sintonia com os pais significa tomar o que se recebeu e renunciar àquilo que não se pode ter. Esta é uma renúncia verdadeira, uma vez que ninguém pode substituir os pais. O pai não pode substituir a mãe, a mãe não pode substituir o pai, os pais adoptivos ou substitutos (tutores) não podem substituir os pais biológicos e nem os cônjuges podem preencher essas necessidades. Muitas crianças sofrem sob a projecção inconsciente dos seus pais, forçadas a representá-los (parentificação).

(…) Segundo as minhas observações através do trabalho de constelações com doentes, muitos pacientes, inconscientemente, estão presos na sua doença ou sintomatologia por uma ânsia infantil e retêm-na por uma profunda necessidade de pertença. Vivem e sofrem com a esperança de alcançar maior proximidade e afecto dos seus pais, mais do que aquilo que os pais lhes podem dar.

Assim, parte do processo de cura seria renunciar a esse desejo de proximidade com os pais e, através da sintonia com eles e a auto-responsabilização, poder crescer em direcção à autonomia adulta.

A esperança do paciente de que se cumpram esses desejos infantis poderia ser considerada como um ganho inconsciente que a doença proporciona num sentido mais amplo.

 

* Stephan Hausner (2010). Aunque me Cueste la Vida. Constelaciones Sistémicas en Casos de Enfermedades y Síntomas Crónicos. Alma Lepik Editorial.

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

O QUE SÃO AS Constelações Familiares

Constelações Familiares

Trata-se de um método psicoterapêutico, criado por Bert Hellinger, que se diferencia dos métodos psicoterapêuticos tradicionais no que diz respeito à análise dos problemas do cliente e à forma de procurar a sua solução.
Narda Lebo

Inscreve-se numa linha de trabalho que coloca em situação (em constelação) os elementos do sistema e as imagens internas do cliente, através do recurso a participantes que os representam, trabalhando com a percepção que surge através desses representantes.

De uma forma rápida e efectiva este método permite que o cliente obtenha compreensões muito claras acerca das dinâmicas e enredos familiares que mantêm os problemas, alcançando por essa via importantes movimentos de compreensão e solução.

Nas diferentes secções desta página encontrará mais informações sobre este método e sobre a forma de realizar a sua própria constelação pessoal.

 

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