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Assentimento e Integração em Terapia

O que significa dizer Sim? Significa render-se e assentir a tudo o que a vida cria, entregar-se em absoluto a todas as suas formas, sem nenhuma oposição. Este é o desafio e a enorme audácia do desenvolvimento espiritual.
Muitas tradições espirituais coincidem neste ponto – no Sim, na entrega à vida tal como ela é, com todas as suas formas, quer sejam bonitas ou feias, agradáveis ou desagradáveis, tanto se elas trazem vida como se levam à morte, se felicidade ou infortúnio.

O Sim verdadeiro é sempre momentâneo e vem do ser essencial, mais do que do pequeno eu, com os seus pequenos interesses e temores.
Algumas formas de psicoterapia, que se inspiram em certas tradições de sabedoria filosófica, para além de encontrarem soluções para os problemas, investigam aquilo que as pessoas não conseguem integrar nas suas vidas, para encaminhá-los para a aceitação, para o Sim final, com a ideia de que tudo o que a vida traz, seja o que for, incluindo aquilo que parece uma fatalidade, pode ser aproveitado ao serviço da vida e nele ser reconhecido um reflexo do espírito do criador.
Opor-se-lhe é sofrimento. Assentir-lhe é libertação.

Joan Garriga In Sobre la Terapia y la Espiritualidad. Revista Conciencia Sin Fronteras, nº 34. Diálogo entre Joan Garriga y Julián Peragón.

Traduzido do castelhano por E. Jacinto
Imagem: Pintura de Essam Marouf

MOTIVOS PARA LER

Quatro novos artigos acrescentados na página:

 

Joan Garriga. Felicidad, amor y orden en la pareja (2005)

Marianne Franke-Gricksch. Una nueva comprensión de las relaciones entre alumnado profesorado y famílias (2006)

O. Fred Donnaldson. Playing by Heart (1996)

Tiuu Bolzmann. “Los Ordenes del Amor” – el enfoque terapéutico sistémico de Bert Hellinger

PSICOTERAPIA E ESPIRITUALIDADE

PSICOTERAPIA E ESPIRITUALIDADE

Por Joan Garriga *

 

As grandes questões existenciais concernem a alma. Ultimamente tenho vindo a dizer que, de forma resumida, qualquer problema que enfrentamos na terapia está relacionado com o facto de existir algo que não somos capazes de amar ou de integrar, não somos capazes de lhe dar um bom lugar no coração. E isso tem consequências: adoecemos, aparecem os sintomas, as más relações, os problemas, etc.. Dizemos não a algo ou a alguém e retraímos a nossa alma, em vez de expandi-la. Este algo pode ser algo da realidade e dos factos, como o amigo que ficou doente, o pai que morreu, etc.. A Buda, por exemplo, morreu-lhe a mãe no seu terceiro dia de vida. Pode-se dizer “isto não deveria ter sido assim” e deste modo não podemos amar nem apreciar esta parte da realidade. Às vezes não podemos amar ou apreciar algo de nós próprios e dizemos: “não, eu não deveria ter esta timidez” ou “não, eu não deveria ter medo” ou “devia ser mais simpático” ou “devia ser mais bem-sucedido” e então, no fundo, consideramos que há partes de nós que não merecem ser blossoming-odilon-redon-1910-14respeitadas e estamos em luta com elas, ou seja, dizemos “não” e estamos numa guerra interior com nós próprios. Às vezes dizemos “não” às pessoas, dizemos “o meu pai portou-se mal comigo” e fechamos-lhe o coração ou “a minha avó pôs chifres ao meu avô” e fecho-lhe o meu coração ou “aquele meu amigo devia tratar-me da maneira X”. E então estamos numa guerra interpessoal. Quando olhamos para o fim dos problemas que surgem na terapia podemos sempre rastrear e encontrar algo a que a pessoa não pode dizer “sim”, diz-lhe “não”. Então aquilo de que se trata é conseguir uma maneira de fazer poder integrar aquilo que se rejeita e de se estender naquilo que fecha. E nesse sentido creio que a espiritualidade e a psicoterapia apontam na mesma direcção, mas isto muitos psicoterapeutas negam e diriam que a psicoterapia não tem nada a ver com a espiritualidade; sem dúvida que existem muitas técnicas que fazem com que algumas pessoas resolvam problemas e mudem e que pouco têm a ver com a espiritualidade. Embora, e na verdade se as analisarmos com precisão, vemos que no fundo quase sempre conduzem a uma maior assunção de responsabilidade das pessoas sobre a sua própria realidade. A terapia pode manipular o ego para afastá-lo daquilo que ele tem que enfrentar, mas trata-se de soluções passageiras e calmantes que duram apenas um tempo. A grande mudança, a que dura, muda algo de essencial na nossa atitude. Integra em vez de destruir, une em vez de separar, acolhe em vez de amputar. Diz “sim”.

 

Joan Garriga In Sobre la Terapia y la Espiritualidad. Revista Conciencia Sin Fronteras, nº 34. Diálogo entre Joan Garriga y Julián Peragón.

Tradução do castelhano por Eva Jacinto

Pintura: Desabrochar, de Odilon Redon, 1910-14

Sim!

 

O que significa dizer Sim? Significa render-se e assentir a tudo o que a vida cria, entregar-se em absoluto a todas as suas formas, sem nenhuma oposição. Este é o desafio e a enorme audácia do desenvolvimento espiritual. Muitas tradições espirituais coincidem neste ponto – no Sim, na entrega à vida tal como ela é, com todas as suas formas, quer sejam bonitas ou feias, agradáveis ou desagradáveis, tanto se elas trazem vida como se levam à morte, se felicidade ou infortúnio. O Sim verdadeiro é sempre momentâneo e vem do ser essencial, mais do que do pequeno eu, com os seus pequenos interesses e temores. Algumas formas de psicoterapia, que se inspiram em certas tradições de sabedoria filosófica, para além de encontrarem soluções para os problemas, investigam aquilo que as pessoas não conseguem integrar nas suas vidas, para encaminhá-los para a aceitação, para o Sim final, com a ideia de que tudo o que a vida traz, seja o que for, incluindo aquilo que parece uma fatalidade, pode ser aproveitado ao serviço da vida e nele ser reconhecido um reflexo do espírito do criador. Opor-se-lhe é sofrimento. Assentir-lhe é libertação.

 

Damien Hirst
Damien Hirst

 

Joan Garriga In Sobre la Terapia y la Espiritualidad. Revista Conciencia Sin Fronteras, nº 34. Diálogo entre Joan Garriga y Julián Peragón.

(Traduzido do castelhano por E. Jacinto)