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Visão Sistémica no Campo Pedagógico

Que mudanças detecta nos professores que trabalham com constelações familiares?

Marianne Franke: Com as constelações familiares as pessoas adquirem uma experiência profunda do seu enraizamento na família de origem. Também compreendem que esse enraizamento na sua família determina a sua personalidade enquanto professores. É possível que os professores que experienciaram as constelações familiares não façam melhor, mas estarão mais conscientes. Na relação com os seus alunos, já não dependem das interpretações. Reconhecem as situações e exigem com mais clareza aquilo que a escola exige às crianças: a sua concentração no compromisso social e na predisposição para aprender.

Excerto de uma Entrevista a Marianne Franke: Una nueva comprensión de las relaciones entre alumnado, profesorado y famílias In Cuadernos de Pedagogía, nº 360, septiembre 2006. (Tradução do castelhano por Eva jacinto)

 

workshop com Marianne Franke Porto 2020

Marianne Franke-Gricksch é psicoterapeuta e professora de estudos avançados sobre visão sistémica e constelações familiares. É pioneira da pedagogia sistémica – aplicação do pensamento sistémico ao campo pedagógico . É autora do livro You’re One of Us. Systemic insights and solutions for teachers, students and parents“, Carl-Auer, publicado em 11 línguas.

 

As constelações familiares são uma técnica inovadora que permite identificar num curto período de tempo dinâmicas familiares inconscientes que geram sofrimento e dificultam as nossas possibilidades de crescimento e de aprendizagem.

Em Maio de 2020 Marianne Franke-Gricksch irá conduzir um workshop de constelações familiares no Porto. Neste workshop os participantes podem trazer os seus problemas, preocupações e perguntas. Esses temas serão trabalhados com a ferramenta das constelações.

Pedagogia Sistémica: sobre a relação docentes – pais

Por Marianne Franke-Gricksch in Eres Uno de Nosotros. Miradas e Soluciones Sistémicas para Docentes, Alumnos y Padres” (2006) *

Como docentes, por vezes tendemos a lamentar o contexto de origem de um aluno, como se o mais importante fosse que essa criança tenha bons resultados escolares e não que ela seja leal à sua família de origem e se sinta nela integrada. Contudo, não nos corresponde realizar essa avaliação, que só conduz a uma relação tensa entre professor e aluno. Os pais ocuparão uma posição mais conciliadora quando um professor dá sinais, directa ou indirectamente, de “eu respeito o destino que se desenvolve na sua família. Não quero assinalar falhas nem oferecer ao seu filho melhores alternativas em relação à casa dos seus pais, mas somente indicar-lhe um caminho para que ele possa explorar o mundo fora da casa dos pais, sem ser-lhes infiel”. Deste modo, a criança está contida e livre de tensões entre as duas autoridades.

Criança, de Violeta Lopiz

Ao mesmo tempo enviamos aos pais o sinal de que “podem confiar-me com toda a tranquilidade o vosso filho na escola”. Como docentes, limitamo-nos, assim, à nossa missão de ensinar e de criar um campo social no espaço da turma.

O respeito frente às famílias de origem não somente apoia a autoridade dos pais, como também fortalece a autoridade do professor, o qual, com o seu trabalho na sala de aula, persegue sem dúvida metas e valores diferentes dos dos pais em suas casas. Os docentes demonstram aqui a sua força na condução; no estudo e na convivência, reclamam o cumprimento das regras que regem a aula e o respeito pela convivência social, assim como a consideração pelo destino de todos os companheiros.

A partir da minha experiência posso dizer que, mercê desta postura clara relativamente às questões de autoridade, consegue-se desactivar em muitas turmas, e especialmente em muitas casas dos pais, uma atmosfera violenta. Mais de um progenitor me confiou reservadamente que se sentia envergonhado por ter batido no seu filho e que tinha começado a modificar-se algo desde que sentia que eu (a professora) respeitava os lares das crianças.

Há muitas casas que são cépticas, hostis ou temerosas em relação a escola ou aos professores, de acordo com experiências que os progenitores carregam. Ocasionalmente chegam até a ajudar os seus filhos a defenderem-se, a não cooperarem de uma forma incondicional e apoiam-nos contra o docente.

A atitude do docente anteriormente descrita anula estas tendências, tal como mostrei nalguns exemplos. Tal atitude convida os pais a não projectarem as suas más experiências sobre os seus filhos, permitindo que eles ocupem posições novas.

* Marianne Franke-Gricksch (2006). “Eres Uno de Nosotros. Miradas e Soluciones Sistémicas para Docentes, Alumnos y Padres“. Editorial Alma Lepik, Buenos Aires.
Traduzido do castelhano por Eva Jacinto
Desenho: Criança, de Violeta Lopiz

Livro de Marianne Franke-Gricksch

Bert Hellinger fala sobre o livro de Marianne Franke-Gricksch

“Quando, há dois anos, Marianne Franke-Gricksch me fez chegar alguns relatórios sobre as suas experiências com crianças difíceis na escola, fiquei muito impressionado pela forma simples, carinhosa e curativa que a sua ajuda resultou para estas crianças e seus pais. Naquela ocasião disse-lhe: “Deves escrever um livro sobre isto!”. Agora apresentamos o seu livro e a impressão que tive naquela altura foi largamente superada.

Fuoco Dentro, de Elisa Talentino

Este é um livro especial, rico em experiências, próximo ao quotidiano, pleno de exemplos que deixam impressões que geram esperança e induzem à imitação. É ao mesmo tempo um guia destinado a pais e professores para resolver situações que parecem difíceis ou até sem saída.

O livro chega ao coração. A muitos dos que lhe derem uma vista de olhos talvez lhes suceda como a mim, que não conseguem desprender-se dele.
Agradeço a Marianne Franke-Gricksch ter escrito este livro.”

Bert Hellinger, Munich 2001.

Preâmbulo por Bert Hellinger ao livro de Marianne Franke-Gricksch “Eres Uno de Nosotros”. 2006, Editorial Alma Lepik, Buenos Aires.
Traduzido do castelhano por Eva Jacinto
Desenho: “Fuoco Dentro”, de Elisa Talentino

Uma separação não destrói a família

Excerto de entrevista a Marianne Franke-Gricksch. Traduzido do espanhol por Eva Jacinto.

Pergunta: Os filhos de pais separados encontram-se frequentemente num terreno carregado de tensão. A Marianne sugere uma “cultura de separação” na qual, por exemplo, os pais separados de crianças em idade escolar se reúnam três ou quatro vezes por ano para conjuntamente tomarem decisões sobre os seus filhos. O efeito que isso tem nas crianças é o de elas se sentirem melhor cuidadas. Como se explica sistemicamente esta subtil diferença na tomada de decisões?

Marianne Franke-Gricksch: Se os pais conseguirem superar a sua decepção devida a um relacionamento que não funcionou, ficarão livres para agir como pais dos seus filhos e não tentarão pôr os filhos do seu lado. As crianças percebem as duas raízes e desejam amar os dois pais sem “ofender” nenhuma das duas partes. Uma separação não destrói a família. Aquilo que é prejudicial para as crianças é o crescendo das ofensas. Em algumas constelações, tenho aconselhado as crianças a imaginar na sua fantasia imagens curativas, como por exemplo o pai e a mãe a passarem tempo juntos novamente durante uma tarde, sem discutir. E isto ajudou muitas vezes.

Pergunta: A educação, sob uma perspectiva sistémica, admite que os pais tenham valores diferentes, o que os liberta e muitas vezes faz com que consigam, em relação à educação, encontrarem em conjunto um maior número de valores. Além disso, recomenda-se que a criança também se aproxime dos valores dos seus pais que já morreram, dizendo-lhe, por exemplo: “o teu pai teria permitido que tivesse um computador“. Por é que isto tem um efeito de alívio também para o progenitor vivo?

Marianne Franke-Gricksch: Quando as mães estão zangadas com o marido de quem se separaram ou divorciaram, a maioria das vezes inconscientemente separam os filhos do pai e com isso sofrem a dupla carga do trabalho educativo. E vice-versa, os pais muitas vezes percebem até que ponto eles também são menosprezados como pais e então esquivam-se das suas obrigações para com a criança. Muitas vezes observei na prática que as mães queriam afastar os filhos dos pais porque estes bebiam. Nestes casos, tratava-se de filhos adolescentes que teriam ficado mais bem amparados se contassem com a presença do pai. Consegui que a mãe voltasse a permitir contactos mais longos, incluindo estadias durante as férias, e o pai voltava a desempenhar um papel importante e diminuía significativamente o consumo de álcool. Foi este o efeito do avanço da confiança.

Excerto de entrevista a Marianne Franke-Gricksch:  Una nueva comprensión de las relaciones entre alumnado, profesorado y familias (2006). In Cuadernos de Pedagogía nº 360 Septiembre 2006. Traduzido do espanhol por Eva Jacinto.
Desenho de Minoura Kentaro