Escuta em Quietude

Por Mike Boxhall

As pessoas precisam de ser escutadas. Não necessitam de ser julgadas nem que se lhes diga como devem ser. Simplesmente têm de ser escutadas na sua dor, confusão e medo. Ser escutado é ser curado e ser escutado profundamente é ser curado profundamente. Não sei onde ouvi isto pela primeira vez, mas tenho a experiência de que isto é verdade.

Ser escutado em quietude é como olhar para um espelho limpo; aquilo que se mostra é o que há. O próprio espelho não faz qualquer comentário sábio, não tem conselhos para dar, somente reflecte. Se eu conseguir ver o que realmente é, de forma simples e nua, sei então o que tenho que fazer. Nesse momento estou aquietado e, na minha quietude, estou presente. E quando estou presente já não me sinto debilitado por todo aquela pilha de reacções que sou eu na maior parte do tempo: estou, pelo menos temporariamente, desperto. Desperto, posso ser proactivo e útil; reencarno-me da minha debilidade.

Simon Prades

(…) Tudo isto carece de intencionalidade, é simples, normal, sem complicações. A minha maneira de viver na maior parte do tempo, em identificação com os meus hábitos e padrões, é o patológico. Digamos que é um estado de sofrimento ou de insatisfação.

O caminho, possivelmente o único caminho em direcção ao núcleo mais interno, é através da quietude, pois qualquer participação ou juízo deterá a revelação. O intelecto analisa, essa é a sua função, mas, e por definição, a análise é uma redução daquilo que pode ser compreendido, é parar o fluxo.

Michael Boxhall (2012). La Silla Vacía: la Enseñanza, no el Maestro. Ediciones El Grano de Mostaza S.L.

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto
Ilustração de Simon Prades

O que nos faz adoecer


Extracto de entrevista a Mike Boxhall

Pergunta:O que é que nos adoece?

Mike Boxhall: Acredito que em boa medida tem a ver com não estarmos presente e estarmos atados a assuntos não digeridos que continuam a fermentar dentro de nós. A tendência a nos castigarmos quando não somos perfeitos, uma energia que nos mantém amarrados à insatisfação.

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E o corpo encontra uma maneira de expressar o seu descontentamento, o seu sofrimento ou o trauma vivido, que pode não ser próprio, mas dos pais e que também nos pode afectar.

A solução passa por regressar ao presente, onde a causa desse sofrimento já não existe, e assumir a responsabilidade em vez de continuar no papel de vítima.

Nesse momento de consciência presente encontra-se a possibilidade de abrir uma porta para deixar ir o que nos atormenta. Simplesmente expandindo a consciência, podemos observar a transformação das pessoas.

Extracto de entrevista a Mike Boxhall
Fonte: https://www.cuerpomente.com/salud-natural/mente/entrevista-mike-boxhall_2334

Tradução do espanhol por Eva Jacinto

Desenho: Profundidade, de Elisa Talentino