Tag Archives: psicoterapia

TRABALHO SISTÉMICO COM DOENÇAS

Texto de Stephan Hausner*, traduzido do castelhano por Eva Jacinto

 

Todas as possibilidades que as constelações sistémicas nos concedem no trabalho com doentes só se podem revelar no trabalho individual com cada um dos pacientes. Ainda que com frequência se demonstrem em muitas doenças e sintomas dinâmicas familiares iguais ou similares, os passos para chegar à solução são diferentes para cada pessoa. A arte do terapeuta consiste, por um lado, em tornar consciente para o paciente aquelas imagens internas, atitudes e crenças que o conduzem à doença ou que o levam a persistir nela e nos sintomas existentes e, por outro lado, pô-lo em contacto, através do processo terapêutico, com realidades que o conduzam a modificar a sua atitude e, com isso, a encontrar uma via de alívio ou talvez de cura. (…)

Quando aqui falo de solução, refiro-me a libertar-se de algo para poder dar um primeiro passo. Porém, toda a mudança pressupõe que haja mobilidade e isto é valido também para o terapeuta. Este deve evitar que a experiência acumulada se transforme em teoria, porque senão perde-se o seu efeito curativo. Com isto quero afirmar que a experiência tem um efeito curativo através do ser do terapeuta e não através do seu conhecimento.

Muitas doenças estão relacionadas com o destino de membros da família que foram excluídos. O sofrimento e a dor que as doenças causam animam a reconhecer a pertença não só dessas pessoas, como também de acontecimentos traumáticos excluídos, e a voltar a incluí-los e integrá-los.

Esta integração passa, multo frequentemente, por um processo de solução com os pais e constitui também um processo de solução dos pais e da família. Exige ir mais além da consciência familiar sobre o bom e o mau, consciência esta que separa. Significa distanciar-se de juízos e movimentos excludentes e significa reconhecer que cada qual, seja como seja e tenha feito o que tenha feito, tem o mesmo direito de pertencer. Esta atitude que integra a todos na alma é sentida como algo sereno e curativo.

 

*Stephan Hausner (2010). Aunque me Cueste la Vida. Constelaciones Sistémicas en Casos de Enfermedades y Síntomas Crónicos. Alma Lepik Editorial.

Traduzido do castelhano por Eva Jacinto

 

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B. HELLINGER: A EMPATIA

BERT HELLINGER:

Na formação de psicoterapeutas e também na formação de assistentes socais, dá-se muito valor ao exercício da empatia, ao sentir com o cliente.

Mas o que é que acontece ao terapeuta que sente empatia por um cliente? O que se passa com os terapeutas, o que fazem na realidade com o cliente?

– Convertem-no numa criança e comportam-se como se fossem a sua mãe ou pai. E uma vez estabelecida esta empatia, impedem que o cliente actue.

 

(clique na imagem para assistir ao vídeo desta palestra)

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PSICOTERAPIA E ESPIRITUALIDADE

PSICOTERAPIA E ESPIRITUALIDADE

Por Joan Garriga *

 

As grandes questões existenciais concernem a alma. Ultimamente tenho vindo a dizer que, de forma resumida, qualquer problema que enfrentamos na terapia está relacionado com o facto de existir algo que não somos capazes de amar ou de integrar, não somos capazes de lhe dar um bom lugar no coração. E isso tem consequências: adoecemos, aparecem os sintomas, as más relações, os problemas, etc.. Dizemos não a algo ou a alguém e retraímos a nossa alma, em vez de expandi-la. Este algo pode ser algo da realidade e dos factos, como o amigo que ficou doente, o pai que morreu, etc.. A Buda, por exemplo, morreu-lhe a mãe no seu terceiro dia de vida. Pode-se dizer “isto não deveria ter sido assim” e deste modo não podemos amar nem apreciar esta parte da realidade. Às vezes não podemos amar ou apreciar algo de nós próprios e dizemos: “não, eu não deveria ter esta timidez” ou “não, eu não deveria ter medo” ou “devia ser mais simpático” ou “devia ser mais bem-sucedido” e então, no fundo, consideramos que há partes de nós que não merecem ser blossoming-odilon-redon-1910-14respeitadas e estamos em luta com elas, ou seja, dizemos “não” e estamos numa guerra interior com nós próprios. Às vezes dizemos “não” às pessoas, dizemos “o meu pai portou-se mal comigo” e fechamos-lhe o coração ou “a minha avó pôs chifres ao meu avô” e fecho-lhe o meu coração ou “aquele meu amigo devia tratar-me da maneira X”. E então estamos numa guerra interpessoal. Quando olhamos para o fim dos problemas que surgem na terapia podemos sempre rastrear e encontrar algo a que a pessoa não pode dizer “sim”, diz-lhe “não”. Então aquilo de que se trata é conseguir uma maneira de fazer poder integrar aquilo que se rejeita e de se estender naquilo que fecha. E nesse sentido creio que a espiritualidade e a psicoterapia apontam na mesma direcção, mas isto muitos psicoterapeutas negam e diriam que a psicoterapia não tem nada a ver com a espiritualidade; sem dúvida que existem muitas técnicas que fazem com que algumas pessoas resolvam problemas e mudem e que pouco têm a ver com a espiritualidade. Embora, e na verdade se as analisarmos com precisão, vemos que no fundo quase sempre conduzem a uma maior assunção de responsabilidade das pessoas sobre a sua própria realidade. A terapia pode manipular o ego para afastá-lo daquilo que ele tem que enfrentar, mas trata-se de soluções passageiras e calmantes que duram apenas um tempo. A grande mudança, a que dura, muda algo de essencial na nossa atitude. Integra em vez de destruir, une em vez de separar, acolhe em vez de amputar. Diz “sim”.

 

Joan Garriga In Sobre la Terapia y la Espiritualidad. Revista Conciencia Sin Fronteras, nº 34. Diálogo entre Joan Garriga y Julián Peragón.

Tradução do castelhano por Eva Jacinto

Pintura: Desabrochar, de Odilon Redon, 1910-14

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O QUE SÃO AS Constelações Familiares

Constelações Familiares

Trata-se de um método psicoterapêutico, criado por Bert Hellinger, que se diferencia dos métodos psicoterapêuticos tradicionais no que diz respeito à análise dos problemas do cliente e à forma de procurar a sua solução.
Narda Lebo

Inscreve-se numa linha de trabalho que coloca em situação (em constelação) os elementos do sistema e as imagens internas do cliente, através do recurso a participantes que os representam, trabalhando com a percepção que surge através desses representantes.

De uma forma rápida e efectiva este método permite que o cliente obtenha compreensões muito claras acerca das dinâmicas e enredos familiares que mantêm os problemas, alcançando por essa via importantes movimentos de compreensão e solução.

Nas diferentes secções desta página encontrará mais informações sobre este método e sobre a forma de realizar a sua própria constelação pessoal.

 

 O QUE É QUE SE FAZ NUMA SESSÃO DE CONSTELAÇÕES FAMILIARES?
 A QUEM PODE AJUDAR ESTA FERRAMENTA TERAPÊUTICA?
 PARTICIPAR, CONSTELAR e SABER MAIS
CONSTELAÇÕES FAMILIARES INDIVIDUAIS
ARTIGOS e VÍDEOS

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CONSTELAÇÕES E TERAPIAS BREVES

 

As terapias breves têm a peculiaridade de se concentrarem no coração da questão, deixando de fora a abundância de especificidades. De imediato movimentam-se para o centro, para a raiz, para o coração.

As constelações familiares são também terapias breves devido ao facto de que com poucos passos trazem à tona dinâmicas familiares que estavam ocultas e com frequência espontaneamente aparece uma resolução. Por regra, uma constelação familiar pode durar 20 a 50 minutos. Isto é extremamente curto, se considerarmos o quanto emerge e o quão vastos podem ser os seus efeitos. Ainda assim, toda a família é trazida a essa imagem e muitas pessoas podem ser afectadas pela resolução alcançada.

Georgia O’Keeffe, Pond in the Woods, 1922

Georgia O’Keeffe, Pond in the Woods, 1922

(…)

O indivíduo é visto no contexto de relações e conexões, mas o foco está numa pessoa, numa relação com uma ou talvez duas pessoas. O interesse está na resolução ou no restabelecimento de um movimento previamente interrompido em relação a uma pessoa. Pode ter a ver com trazer à consciência uma verdade temida ou evitada, permitindo ao cliente olhar directa e imediatamente para a situação actual, e permitir que esta verdade apresente uma solução. (…)

(…) são constelações familiares altamente concentradas, reduzidas ao absolutamente essencial. Raramente envolvem mais do que dois ou três representantes. Às vezes o processo de resolução ocorre com quase nenhuma intervenção do terapeuta, onde o cliente e os representantes operam num campo de energia que revela uma direcção clara.

 

Bert Hellinger na introdução ao livro “To the Heart of the Matter. Brief Therapies” (2003). Carl-Auer-Systeme Verlal. Heidelberg.

Traduzido do inglês por Eva Jacinto

 

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