Sim!

 

O que significa dizer Sim? Significa render-se e assentir a tudo o que a vida cria, entregar-se em absoluto a todas as suas formas, sem nenhuma oposição. Este é o desafio e a enorme audácia do desenvolvimento espiritual. Muitas tradições espirituais coincidem neste ponto – no Sim, na entrega à vida tal como ela é, com todas as suas formas, quer sejam bonitas ou feias, agradáveis ou desagradáveis, tanto se elas trazem vida como se levam à morte, se felicidade ou infortúnio. O Sim verdadeiro é sempre momentâneo e vem do ser essencial, mais do que do pequeno eu, com os seus pequenos interesses e temores. Algumas formas de psicoterapia, que se inspiram em certas tradições de sabedoria filosófica, para além de encontrarem soluções para os problemas, investigam aquilo que as pessoas não conseguem integrar nas suas vidas, para encaminhá-los para a aceitação, para o Sim final, com a ideia de que tudo o que a vida traz, seja o que for, incluindo aquilo que parece uma fatalidade, pode ser aproveitado ao serviço da vida e nele ser reconhecido um reflexo do espírito do criador. Opor-se-lhe é sofrimento. Assentir-lhe é libertação.

 

Damien Hirst

Damien Hirst

 

Joan Garriga In Sobre la Terapia y la Espiritualidad. Revista Conciencia Sin Fronteras, nº 34. Diálogo entre Joan Garriga y Julián Peragón.

(Traduzido do castelhano por E. Jacinto)

Que se passa com Bert Hellinger e as suas constelações?

 

Que se passa com Bert Hellinger e as suas constelações? O que é que provoca este interesse, e até mesmo fascínio, pelo seu trabalho? Anteriormente, já desde os anos 50 do século XX, outros terapeutas tinham descoberto a enorme influência da família e das suas implicações nas dificuldades que levavam as pessoas a um tratamento constelação com BHellinger no Méxicopsicoterapêutico, aplicando esta perspectiva (denominada sistémica) na procura de soluções. Contudo, ninguém como Hellinger demostrou a evidência de tal ascendente familiar, revelando, graças às constelações, que durante várias gerações certos factos importantes na história da família que não tenham sido resolvidos na sua época própria, continuam a actuar como se tivessem acabado de acontecer, inclusivamente em filhos e netos que nada sabem sobre esses assuntos. Acontecimentos familiares como crianças que morrem precocemente, abortos, relações violentas, migrações, parceiros anteriores ao casamento, doenças ou acidente graves… – factos que, em última análise, mudam o destino da família, podem provocar consequências que se “herdam”, ainda quando os seus protagonistas iniciais já tenham falecido.

As pessoas que exploram as suas próprias dificuldades a partir desta perspectiva podem encontrar sentido e soluções para comportamentos e estilos de vida que comportam infelicidade, que os mantiveram emaranhados e cuja origem desconheciam. Muitas das pessoas que fazem psicoterapia sabem como seria viver com mais felicidade, contudo, incompreensivelmente sentem-se impelidos a repetir certos comportamentos que as tornam infelizes. É surpreendente comprovar com que eficácia as constelações conferem alívio e soluções às pessoas com dificuldades severas e prolongadas e como frequentemente elas assumem com “naturalidade” o nexo dos seus problemas com factos estranhos à sua vida individual.

 

Ángel Martínez Viejo, Psicólogo, In Descubrimentos en la familia intergeneracional

(Tradução de EJ)

PSICOTERAPIA E VISÃO FENOMENOLÓGICA

Psicoterapia e Visão Fenomenológica

 

Nas suas origens, o método fenomenológico é um método filosófico. Trata-se de que alguém se expõe a uma coisa sem intenção e sem temor. E esquece-se de tudo o que, até ao momento, sabe sobre esse tema. Expõe-se a um contexto obscuro e repentinamente compreende a essência de um tema.

Quando trabalho com uma família exponho-me a ela tal como se apresenta, sem a intenção sequer de ajudar. E sem medo das consequências daquilo que eu diga ou faça. Ao posicionar-me desta maneira, de repente vejo para onde vão as coisas. Nem sempre o vejo, claro, também aqui permaneço limitado. Esta é a maneira de trabalhar fenomenologicamente. Não se baseia em nenhuma teoria, nem na experiência anterior, trabalha somente com o instante. Isto é muito difícil porque de cada vez a terapia coloca um novo risco.

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Edvard Munch: moonlight (1895)

A forma de proceder na fenomenologia é sem intenção, sem conhecimentos e sem medo. Vê aquilo que une tudo aquilo que aparece; sustenta-se e é guiada pelo fundamento e limite de toda a vontade.

Na realidade, traz à luz o derradeiro. Portanto, a terapia só termina quando traz à luz esse derradeiro e quando, na profundidade, liga alguém a esse derradeiro. Aqui a verdade torna-se o acontecimento e culmina na execução.

(…) A psicoterapia fenomenológica significa que eu, como terapeuta, me exponho a um contexto sem intenção e sem medo. Ou seja, também sem a intenção de curar. Por essa razão, o terapeuta que queira perceber fenomenologicamente deve estar de acordo com o mundo tal como ele é. Não tem necessidade de mudar o mundo. Isso exige que se retire completamente. E também está de acordo com a doença de um cliente tal como ela é. Não há necessidade de colocar-se no meio.

 

Bert Hellinger In El manantial no necesita preguntar por el camino (2007), Editorial Alma Lepik.

(traduzido do castelhano por E. Jacinto)

 

A SOLUÇÃO PROCURA O AMOR

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Para encontrar a solução, há que procurar o amor…

 

“O problema surge ali onde a pessoa ama. Por esse motivo, só posso compreendê-la, a ela e ao seu problema, depois de ter encontrado o ponto em que o seu amor se manifesta. Assim, a solução deve actuar com a mesma força que causa o problema. Significa que aproveita o mesmo amor que deu origem ao problema. Apenas se dá outra direcção a esse amor, uma direcção mais sã e mais feliz, para todos os que estão envolvidos na situação. Amostro à pessoa como ela pode amar melhor e que, na solução, o amor é mais radiante do que quando se retém o problema. Este é, assim, o único segredo da psicoterapia.”

 

Bert Hellinger

In “El Manantial no Necesita Preguntar por el Camino” (2007 ed. castelhano, p. 124.), Editorial Alma Lepik. Traduzido do castelhano por Eva Jacinto