Que se passa com Bert Hellinger e as suas constelações?

 

Que se passa com Bert Hellinger e as suas constelações? O que é que provoca este interesse, e até mesmo fascínio, pelo seu trabalho? Anteriormente, já desde os anos 50 do século XX, outros terapeutas tinham descoberto a enorme influência da família e das suas implicações nas dificuldades que levavam as pessoas a um tratamento constelação com BHellinger no Méxicopsicoterapêutico, aplicando esta perspectiva (denominada sistémica) na procura de soluções. Contudo, ninguém como Hellinger demostrou a evidência de tal ascendente familiar, revelando, graças às constelações, que durante várias gerações certos factos importantes na história da família que não tenham sido resolvidos na sua época própria, continuam a actuar como se tivessem acabado de acontecer, inclusivamente em filhos e netos que nada sabem sobre esses assuntos. Acontecimentos familiares como crianças que morrem precocemente, abortos, relações violentas, migrações, parceiros anteriores ao casamento, doenças ou acidente graves… – factos que, em última análise, mudam o destino da família, podem provocar consequências que se “herdam”, ainda quando os seus protagonistas iniciais já tenham falecido.

As pessoas que exploram as suas próprias dificuldades a partir desta perspectiva podem encontrar sentido e soluções para comportamentos e estilos de vida que comportam infelicidade, que os mantiveram emaranhados e cuja origem desconheciam. Muitas das pessoas que fazem psicoterapia sabem como seria viver com mais felicidade, contudo, incompreensivelmente sentem-se impelidos a repetir certos comportamentos que as tornam infelizes. É surpreendente comprovar com que eficácia as constelações conferem alívio e soluções às pessoas com dificuldades severas e prolongadas e como frequentemente elas assumem com “naturalidade” o nexo dos seus problemas com factos estranhos à sua vida individual.

 

Ángel Martínez Viejo, Psicólogo, In Descubrimentos en la familia intergeneracional

(Tradução de EJ)

Identificar-se com a solução

Identificar-se com a solução versus identificar-se com o problema

PARTICIPANTE: Quando uma pessoa participa numa constelação como observador e se identifica com o problema que foi exposto, a alma da própria pessoa começa a mover-se, como se ela estivesse a trabalhar o mesmo problema?

HELLINGER: Às vezes.

Risos.

HELLINGER: Mas há sempre o perigo de que o espectador se identifique com o problema, em vez de se identificar com a solução. Se a pessoa estiver atenta ao problema, facilmente perde de vista a solução, que é a parte realmente importante. Há que ter cuidado com isso. Como terapeuta eu tenho que ter muito cuidado com isso. (…)

 

Bert Hellinger In Raquel Solloza por sus Hijos (2006), Editorial Herder

(traduzido do castelhano por Eva Jacinto)

Neurose e movimento interrompido

 

Existem duas situações básicas que provocam dificuldades nos relacionamentos: uma delas é a identificação inconsciente com outro membro do sistema; a outra é a interrupção do movimento natural de “entregar-se a”. Esse movimento não pode completar-se adequadamente quando o anseio natural de entrega da criança a alguém que ela ama é interrompido (por exemplo por causa de situações como morte, doenças, ou outras circunstâncias que forçaram a separação).

A essas interrupções seguem-se fortes sentimentos de mágoa, rejeição, desespero, ódio, resignação e angústia. (…) Quando as crianças não conseguem entregar-se à pessoa que amam, tendem a sentir-se inteiramente rejeitadas, como se houvesse algo de errado nelas, e suspendem o movimento amoroso.

El dueño del sueño, de Noemi Vilamuza

El dueño del sueño, de Noemi Vilamuza

Sempre que, mais tarde na vida, quiserem entregar-se a outra pessoa, as lembranças da mágoa virão inconscientemente à tona e interromperão o movimento, de tal forma que a reacção será a mesma de antes. (…)

Um movimento interrompido de entrega pode manifestar-se sob a forma de tensão muscular, cefaleias, comportamentos auto-destrutivos, ou em dinâmicas internas que se apoiam em ideias como por exemplo “jamais mostrarei fraqueza” ou “nada nem ninguém me pode ajudar”. Em vez de o movimento amoroso ser conduzido até ao seu termo, essa pessoa recua ou entra num padrão circular de “avanço/ fuga”. Eis a raiz do comportamento neurótico.

(…) A solução sobrevém apenas quando o movimento alcança o seu objectivo e se completa (…). Depois de obter a experiência nova de completar o movimento, os outros movimentos de entrega tornam-se mais fáceis.

Texto adaptado por Eva Jacinto de “A Simetria Oculta do Amor”, Bert Hellinger (pág. 267-268). Reunido e organizado por Gunthard Weber e Hunther Beaumont. Publicado pela Editora Cultrix, São Paulo. ISBN: 978-85-316-0603-