O QUE É QUE CURA NAS CONSTELAÇÕES?

O QUE É QUE CURA NAS CONSTELAÇÕES? Uma conversa entre Marianne Franke-Gricksch e Stephan Hausner

Stephan Hausner: Quando experimentei o trabalho de Bert Hellinger com doentes pela primeira vez, em 1993, senti que tinha encontrado o que andava à procura: percebi que Bert era alguém que – sem medicação e somente através da compreensão, do seu ser e do seu actuar – conseguia pôr em movimento um processo curativo no paciente. Mas não foi só isto. Outros participantes do grupo também mostravam movimentos de cura. O efeito das suas intervenções foi além do próprio paciente. Eu tinha aprendido na medicina tradicional chinesa que a saúde e a ordem caminham juntas.

Marianne Franke-Gricksch: Então o seminário com Bert Hellinger foi como que uma “ignição inicial”?

Stephan Hausner: Sim e foi também a expansão de tudo o que tinha sido a minha carreira até então. De imediato se tornou claro para mim que a medicina integral deveria incluir o sistema familiar.

Marianne Franke-Gricksch: Stephan, tu estiveste em muitos workshops de Bert Hellinger. O que é que te moveu de forma especial?

Alexander Calder litograph 1964

Stephan Hausner: Foram duas coisas. Em primeiro lugar, a questão sobre o que é que é curativo neste método, em segundo o que é exigido e como é que Bert Hellinger faz para reunir tanta informação em tão pouco tempo, ou seja, como é que ele percepciona.
Eu já conhecia o provocador conceito cunhado por Rajan Sankaran, um homeopata indiano, que se tornou famoso pela sua forma rápida de descoberta do remédio: “cada pergunta de um homeopata é um sinal de sua própria insegurança”. Também Bert Hellinger parecia ser capaz de entender, a partir do contacto não-verbal e desde os primeiros instantes, a dinâmica essencial que move os pacientes. E vivencia a constelação como uma confirmação do que já estava a intuir. Isto constituiu para mim uma experiência muito interessante.

Marianne Franke-Gricksch: Podes dizer mais sobre a primeira questão: “o que é que cura nas constelações”?

Stephan Hausner: o meu principal objectivo com o trabalho de constelações foi e é o trabalho com doentes. Fiz mais de 200 workshops para doentes (pessoas fisicamente doentes). Como terapeuta, a minha pergunta era: o que foi que contribuiu para a cura nos casos em que os processos de cura ocorreram através das constelações? Ao longo dos anos, voltei a reunir-me com muitos dos meus pacientes e, através das minhas experiências, cheguei à hipótese de que a força motriz para a doença e talvez também para as implicações [sistémicas] – sempre que haja nela responsabilidade pessoal – vem do amor primário das crianças pelos seus pais, da sua necessidade e anseio de proximidade. Pelo menos é este anseio de proximidade com os pais e a família que permite ao paciente manter-se nas implicações e nos seus sintomas.
No trabalho com doentes parece-me que esse é um dos aspectos essenciais. Isto modificou o meu trabalho com constelações. Nas constelações, muitas vezes não retorno à origem da implicação ou do problema, mas interrompo a constelação quando sei qual é o desejo, qual é o benefício da doença, ou melhor, a ilusão de um ganho mediante a doença. Então, trabalho de forma condensada, confrontando os clientes directamente com a pessoa para quem o anseio está orientado e observo o que acontece concretamente neste contexto de vinculação, que na maioria dos casos são o pai ou a mãe.
O meu amigo Dale Schusterman disse uma vez: “usas a pessoa para mudar o sistema e não o sistema para mudar a pessoa”, é realmente assim. Em primeiro lugar interessa-me o indivíduo e o quadro das suas possibilidades como parte do sistema. Desta forma, procuro mobilizar a auto-responsabilidade do paciente, colocá-lo em contacto com a posição básica em que está implicado e aquela que resolve e cura.

In ECOS-boletín No 21, Janeiro de 2009. Stephan Hausner: Curación en Sintonía. Una Conversación con Marianne Franke-Gricksch
Traduzido do espanhol por Eva Jacinto
Imagem: Litografia de Alexander Calder. Composition II, circa 1964

Doenças e Sintomas na Constelação

Doenças e Sintomas na Constelação

Por Stephan Hausner*

No meu primeiro workshop com Bert Hellinger, compreendi que os sintomas ou doenças não podem ser reduzidos a um fenómeno puramente pessoal. Quando trabalhamos com clientes que sofrem de problemas de saúde, frequentemente só encontramos uma solução quando olhamos para os seus sintomas ou doenças dentro de um contexto maior, como por exemplo, a família ou mesmo mais além. Quando fazemos constelações no campo da psicossomática, muitas vezes colocamos um representante para os sintomas ou doenças do cliente e o que frequentemente notamos é que esse representante é, de alguma forma, necessário para conceder um efeito de equilíbrio no sistema familiar.

Paul Klee, 1939

Vemos como os sintomas e doenças estão relacionados, não só com o paciente que os suporta, mas também com outros membros da família, ou com aspectos transgeracionais e traumas que ocorreram nessa família. A constelação mostra a interligação entre sintomas e doenças e revela que não são apenas os indivíduos que desejam a plenitude e integridade, mas também que os sistemas familiares têm uma memória e estão à procura do equilíbrio e plenitude, tentando incluir e retendo questões do passado que ainda não encontraram solução.

Ao incluir doenças e sintomas no trabalho de constelação sistémica, vimos que os representantes da doença estão frequentemente conectados a questões anteriormente excluídas, excluídas no sentido de que não estão resolvidas. Continuar a ler

Prenderse cura, de Elisa talentino

“Muitos clientes concluem que o seu passado é responsável pela sua situação presente. E também, por exemplo, os seus pais ou a sua família de origem. Mas somente na presença podemos mudar. Só podemos mudar neste momento. Assim, o trauma do passado, na verdade não é o problema. O desafio é como relacionar-nos agora com aquilo que aconteceu no passado, com aquilo que nos causou dano.” 

Stephan Hausner

In  entrevista de Oralice Silva realizada em Setembro de 2015, em Vilagarcía de Arousa, Galiza, Espanha.

Vídeo Stephan Hausner

Stephan Hausner:

“Através da constelação familiar temos a oportunidade de descobrir que tipo de dinâmicas estão activas num sistema familiar e podemos também descobrir como podemos mudar a nossa atitude, o nosso comportamento dentro da nossa família, de modo a que a doença ou o sintoma deixem de ser necessários.”

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